Com Copa de 2027 no horizonte, CBF apresenta panorama do futebol feminino
Nos últimos anos, competições femininas cresceram em número de partidas e clubes participantes
O futebol feminino vem numa crescente no Brasil, com um calendário de competições nacionais com mais jogos, datas e clubes participantes, além de um valor maior nas cotas de participação e premiações. A um ano da Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no país entre 24 de junho e 25 de julho, a modalidade deve ganhar ainda mais projeção.
Em cinco anos, de 2021 para 2026, o número de competições femininas subiu de seis para nove (aumento de 50%); a quantidade de clubes disputando as competições adultas ou da base de 58 para 79 (36%); e de partidas de 398 para 712 (79%).
Olhando apenas para o último ano, cinco novos times começaram a competir na base. O principal avanço, porém, foi no número de partidas, com aumento nos jogos do A1 (25%), A2 (91%) e A3 (62%) do Brasileirão e da Copa do Brasil (12,5%).
A gerente de Competições Femininas da CBF, Aline Pellegrino, explica que, quanto mais competições em diferentes categorias, maior a capacidade de desenvolver talentos, aumentar o nível competitivo e preparar atletas para o alto rendimento.
"Quando ampliamos o calendário, damos às atletas aquilo que elas mais precisam para se desenvolver: tempo de jogo. Mais minutos em campo significam mais experiência, maior evolução técnica e uma preparação mais consistente", justifica.
Ao mesmo tempo, os clubes passam a ter melhores condições para planejar toda a temporada, desde a pré-temporada até a integração entre as competições nacionais e os campeonatos estaduais. Isso traz mais previsibilidade, favorece investimentos e fortalece a estrutura das equipes.
As divisões do Campeonato Brasileiro são reflexo do crescimento do futebol feminino. Estabelecido em 2013, o torneio se dividiu para o A2 em 2017 e para o A3 em 2022. Já a Copa do Brasil, criada em 2007, saiu do calendário em 2017 e retornou no ano passado com um critério técnico que reúne clubes das Séries A1, A2 e A3.
"A decisão da CBF mostra um compromisso real com o desenvolvimento do futebol feminino em todas as regiões do Brasil. Mais do que resgatar uma competição tradicional, é um passo importante na consolidação da modalidade, já que amplia oportunidades e valoriza o trabalho que vem sendo feito nos campeonatos estaduais", destaca Aline Pellegrino.
Desde 2024, a CBF atua com a estratégia dos Torneios Estaduais Femininos de Base para formação de jogadoras mulheres no país ao repassar recursos às 27 federações para a realização das competições sub-15 e sub-17. Neste ano, o programa passou a contemplar também a categoria sub-20, fortalecendo a transição para o alto rendimento e ampliando o calendário competitivo.
O sucesso da iniciativa levou a uma mudança técnica relevante: a partir da temporada 2026, a Diretoria de Competições da CBF adota como critério de participação nos Brasileiros Femininos Sub-17 e Sub-20 a destinação de 16 vagas aos campeões estaduais de cada categoria, entre as 16 federações melhores posicionadas no Ranking Nacional de Federações do Futebol Feminino. Com isso, clubes de todas as regiões têm oportunidades reais de acesso às competições nacionais de base, estimulando o desenvolvimento de novos talentos no futebol feminino.
Entre 2024 e 2029, a CBF projeta um investimento de mais de R$ 685 milhões para as competições de futebol feminino no Brasil, com crescimento de 41% nas datas do calendário nacional e de 84% em partidas organizadas pela entidade. A gerente de Competições Femininas da CBF ressalta que, para uma execução bem-sucedida das ações, é indispensável que as federações e os clubes também tenham planejamento, investimento e comprometimento com o futebol feminino.