125 anos e muitos registros históricos
Correio da Manhã se mantém como um dos principais veículos do país com atuação no Rio, São Paulo e Brasília
Por Rafael Lima e Marcelo Perillier
Neste 15 de junho de 2026, o Correio da Manhã celebra 125 anos de história. Poucos jornais brasileiros podem dizer que atravessaram mais de um século de transformações políticas, econômicas e sociais, mantendo vivo o compromisso com a informação e a defesa do interesse público.
Fundado em 15 de junho de 1901, no Rio de Janeiro, pelo jornalista Edmundo Bittencourt, o Correio da Manhã nasceu em um Brasil ainda nos primeiros anos da República. Desde a sua criação, o jornal escolheu um caminho que o diferenciaria de muitos de seus contemporâneos: a independência editorial. Em seu primeiro editorial, deixou claro que não estaria vinculado a partidos políticos e que teria como missão servir à sociedade.
Ao longo do século XX, o Correio da Manhã transformou-se em um dos mais importantes jornais do país. Suas páginas registraram momentos decisivos da história brasileira, acompanharam mudanças de governo, revelaram bastidores do poder e ajudaram a formar gerações de leitores e jornalistas. Mais do que um veículo de comunicação, tornou-se uma instituição da imprensa nacional.
Grandes nomes do jornalismo e da literatura passaram por sua redação. O jornal construiu uma reputação baseada na qualidade da informação, na pluralidade de ideias e na coragem editorial. Em diferentes períodos, posicionou-se em defesa da democracia e da liberdade de expressão, consolidando seu lugar entre os mais influentes do Brasil.
Um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória ocorreu durante o regime militar. Após inicialmente apoiar a mudança política de 1964, o jornal passou a criticar excessos e denunciar violações de direitos e liberdades. A postura teve consequências severas. O Correio enfrentou perseguições políticas e dificuldades financeiras, com até a saída da família Bittencourt do comando do jornal, que passou a ter na batuta a família Alencar, que de 1969 a 1974, tentou manter o veículo em circulação, até fechar definitivamente.
Niomar Bittencourt
Nesse período, uma mulher tornou-se símbolo da resistência do jornal: Dona Niomar Moniz Sodré Bittencourt. Após a morte de Paulo Bittencourt, em 1963, ela assumiu o comando do Correio da Manhã em uma época em que poucas mulheres ocupavam posições de liderança na imprensa. Com firmeza e independência, conduziu o jornal em um dos momentos mais delicados da história brasileira.
Sob sua direção, o Correio da Manhã passou a denunciar abusos do regime militar e a defender as liberdades democráticas, mesmo diante de fortes pressões políticas e econômicas. Niomar foi presa em 1969, teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5 e tornou-se um símbolo da defesa da liberdade de expressão no país. Sua coragem ajudou a consolidar o legado do jornal como uma voz independente da sociedade brasileira.
Retomada
Em 2019, exatos 50 anos após o fim da circulação do jornal sob o comando da família Bittencourt, o jornalista e publisher Claudio Magnavita adquiriu os direitos da marca e liderou seu renascimento, em setembro daquele ano.
O relançamento não representou apenas a retomada de uma publicação. Foi também a recuperação de um patrimônio histórico da imprensa nacional. Mantendo a numeração original das edições e preservando o legado construído desde 1901, o novo Correio buscou unir tradição e inovação em um cenário profundamente transformado pela era digital.
Sob a liderança de Claudio Magnavita, o jornal expandiu sua presença editorial, fortalecendo sua atuação não apenas no estado do Rio de Janeiro, mas também em Brasília, recuperando o estígma de ser o primeiro jornal do Distrito Federal. Ano passado, expandiu suas operações em para o estado de São Paulo, com edições na capital e em Campinas.
Em um momento de grandes desafios para a comunicação, o Correio reafirmou valores que marcaram sua trajetória: independência, credibilidade e compromisso com o jornalismo profissional e direito.
Assim, celebrar os 125 anos de história é celebrar também a própria história da imprensa brasileira. Em suas páginas passaram presidentes da República, crises políticas, transformações sociais, avanços tecnológicos e acontecimentos que ajudaram a moldar o debate político-social nacional.
Ao longo de mais de um século, o jornal testemunhou o nascimento e a consolidação da República, acompanhou períodos de prosperidade e crise e atravessou profundas mudanças na forma de produzir e consumir informação. Em cada fase, soube se adaptar sem abrir mão de sua identidade.
Em tempos de desafios para o jornalismo impresso, com demanda acelerada de informações pela internet, o Correio da Manhã reforça a importância da imprensa como instrumento da democracia. Seus 125 anos representam não apenas a longevidade de uma marca histórica, mas a permanência de valores fundamentais para a sociedade.
Ao completar 125 anos, o Correio da Manhã olha para seu passado com orgulho e para o futuro com confiança, com a nossa expansão também nos meios digitais. Afinal, mais do que registrar a história do Brasil, o jornal ajudou a escrevê-la. E continua escrevendo. Quer saber primeiro? Leia o Correio da Manhã!