Por Isadora Ventura
A corrida contra o relógio biológico é árdua mas o desejo de ser mãe supera qualquer disputa. Num mundo onde a medicina pode concluir que gravidez depois dos 40 anos seja inviável, ariscada e perigosa, muitas mulheres não desistiram do sonho de ser mãe. E com a chegada dos Dias das Mães, celebrado neste domingo (10), o Correio Sul Fluminense entrevistou mulheres que compartilharam suas jornadas rumo à maternidade.
A manicure Mirene Aparecida relata que teve sua segunda gestação aos 40 anos, comentou como foi receber o tão esperado positivo. "Sensação de vitória. Porque os médicos já haviam dito que eu não podia engravidar novamente", afirma, já que ela foi considerada gestante de risco.
- Foi bem difícil mas tive toda uma estrutura profissional pelo SUS. O momento de maior medo foi quando, com 7 semanas, descobrimos que estava com diabetes gestacional e pré-eclâmpsia no pós-parto - disse. Hoje, aos 43 anos, Mirene afirma tudo valeu a pena e aconselhou as mulheres a não desistirem e procurarem opiniões de outros especialistas.
Já Bárbara Maria, nutricionista e professora de educação física, afirma que sempre teve duvidas se queria ser mãe ou não. "Essa é uma dúvida que permeou minha vida. Então eu ficava nessa: 'Ai, não vou ser... minha vida vai ser mesmo trabalhar, estudar, viajar, cuidar dos meus sobrinhos, e cuidar da minha mãe quando ela ficar mais velha. E fui levando a vida", afirmou.
Aos 35 anos decidiu implantar um Dispositivo Intrauterino (DIU), mas ao realizar o exame de histerossalpingografia a médica observou que sua trompas estavam envelopadas e rígidas, o que poderia provocar dificuldades para engravidar.
Quando chegou aos 39, ela retirou o contraceptivo e refez o exame, que apontou uma piora nas trompas. "A médica me falou, 'Olha, a hora é essa. Ou você tenta engravidar, ou congela os óvulos, porque está quase 40 e com as trompas muito já ruins'."
Bárbara já vinha de uma rotina de cuidados com a prática de exercícios físicos, suplementação com vitaminas do Complexo B, coenzima Q10 e deixar o corpo preparado. Com o 'ultimato', ela conversou com seu namorado sobre a possibilidade de começar a tentar engravidar. "Engravidei em três meses. Foi muito intuitivo", afirma, mesmo que em um primeiro momento negasse o teste rápido de farmácia que deu positivo.
Após a confirmação da gestação, Bárbara afirma que sentiu um misto de sentimentos. Mas a surpresa maior foi quando ao realizar o exame de imagem.
- Já cheguei para a médica do exame, 'Doutora, pelo amor de Deus, não vai me dizer que é gêmeos! Minha irmã tem gêmeos, já estou apreensiva'. Quando eu deitei, ela fez o exame e disse 'tem duas pessoinhas aqui'. Eu chorei", contou emocionada. Ela deu a luz a Mahir e Ravi, que neste ano completam quatro anos de idade.
Para ela, tudo valeu a pena. "Por mais que tenha perdido muito da minha liberdade, eles estão me ensinando cada dia mais sobre amor, sobre entrega. É muito lindo. Eu também descobri que eu não tenho controle sobre tudo. Com filho, é no ritmo deles, é no ritmo da vida".
Já Hildimila Barbosa, psicóloga e corretora de imóveis aposentada, relatou que já tinha duas filhas mais velhas e que tinha realizado o ligamento das trompas. O desejo de engravidar novamente surgiu após seu segundo casamento já que o seu agora ex-marido não tinha filhos.
Ela fez uma cirurgia para tentar religar as tropas, que acabou não dando certo. Aos 47 anos, ela continuou na tentativa por meio de duas fertilizações e por fim, recebeu o tão esperado positivo. "
- Quando eu vi que tinha dado certo, que eu tava grávida, eu deslumbrei de felicidade. A Mariana e a Gabriela também, as minhas mais velhas. O pai da minha terceira, a Marcela, que é a única que ele tem, é muito apaixonado por ela, como nós três", pontuou.
Após dois anos e meio do nascimento de sua caçula, Hildimila descobriu um câncer no cérebro e logo após, separou de seu marido. Ela relata que só queria tentar dar conta de tudo.
- Ela fez todo e faz, todo o sentido de existir. Toda a minha vontade de viver é para elas. Eu estou na luta, eu e Deus, para eu ficar curada, para ver ela crescer, ela se formar e eu ver minhas filhas terem filhos - disse.
*Com supervisão de
Ana Luiza Rossi