Audiência no DF aponta caos e mortes na Rodovia do Aço

Prefeituras da região foram até Brasília debater sobre a situação da BR-393

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Na Câmara dos Deputados, foi realizada na manhã desta terça-feira (14) a audiência pública para discutir sobre a situação da BR-393, a Rodovia do Aço. Durante o encontro, que aconteceu em Brasília por meio da Comissão de Viação e Transportes, diversas autoridades denunciaram o cenário crítico da rodovia e cobraram medidas urgentes para evitar novos acidentes e mortes.

A audiência foi convocada a partir de requerimento do deputado federal Bebeto Bebeto, que abriu o debate ressaltando a gravidade da situação e a necessidade de respostas imediatas. O encontro reuniu a prefeita de Barra do Piraí, Kátia Miki; a prefeita de Vassouras, Rosi Silva; o prefeito de Sapucaia, Breno Junqueira; o prefeito de Paraíba do Sul, Júlio Canelinha; e o prefeito de Três Rios, Jonas Dico, de representantes da prefeitura de Volta Reodnda, órgãos responsáveis pela rodovia e especialistas em segurança viária.

Durante a fala de Miki, a prefeita apresentou um retrato direto da realidade vivida pela cidade, onde o trecho da rodovia se estende por quase 50 quilômetros. A rodovia concentra problemas recorrentes, como buracos, falta de manutenção e aumento no número de acidentes, incluindo registros recentes de mortes.

- A gente presenciou, principalmente nos últimos meses, uma escalada de acidentes graves. Só na semana passada, foram dois óbitos no trecho do nosso município. Isso tornou a situação insuportável - destacou Katia.

A prefeita também chamou atenção para os impactos diários enfrentados por quem depende da rodovia. Segundo ela, são frequentes os casos de motoristas parados às margens da estrada, com pneus estourados e veículos danificados, além de famílias expostas ao risco constante.

Vale lembrar que a participação em Brasília ocorre poucos dias após uma decisão da Justiça Federal, proferida na última quinta-feira (9), que determinou que o DNIT apresente, em até 72 horas, um plano emergencial para a BR-393, após ação civil pública movida pela Prefeitura de Barra do Piraí.

Para Katia, a presença na capital federal reforça a estratégia de atuação simultânea nas esferas judicial e política para acelerar soluções.

Cobranças e defesas

Durante sua fala, a prefeita organizou a cobrança em três pontos centrais que foram a execução imediata de obras emergenciais, a participação dos municípios na construção do novo modelo de concessão e a revisão da forma de financiamento da rodovia.

Ela defendeu que o governo federal assuma parte dos investimentos, sem depender exclusivamente da cobrança de pedágio. "Durante 16 anos, a população pagou pedágio e não teve o retorno esperado. Não dá para repetir esse modelo. É fundamental que o governo federal invista diretamente e garanta uma rodovia segura", disse.

Katia também destacou a importância de incluir os municípios nas decisões sobre a nova concessão, para que a realidade local seja considerada no planejamento.

A presença conjunta evidenciou a força da mobilização e a necessidade de uma resposta integrada por parte do governo federal. "Essa é uma pauta que une todos os municípios. A BR-393 é essencial para o desenvolvimento da nossa região e precisa de uma solução urgente", destacou Katia.

Trecho importante

Ao longo da audiência, foi reforçado o papel estratégico da BR-393 para o Sul Fluminense, tanto no escoamento da produção quanto no deslocamento diário de trabalhadores.

Ainda segundo Kátia Miki, milhares de pessoas dependem da rodovia todos os dias, incluindo cerca de 800 moradores de Barra do Piraí que utilizam o trecho para trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda.

"Estamos falando do mínimo: segurança e condições de tráfego para quem utiliza essa rodovia todos os dias", afirmou a prefeita.