CSN marca 85 anos com trajetória de impulso à indústria
Aniversário da empresa fundada em 1941 é comemorado junto com o Dia Nacional do Aço
Por Redação
No mesmo dia que celebra o Dia Nacional do Aço, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) completa 85 anos de história nesta quinta-feira (09). Fundada em 1941 pelo então presidente Getúlio Vargas, a empresa marcou o início da industrialização brasileira com a instalação da Usina Presidente Vargas (UPV) em Volta Redonda.
Os empregos gerados pela CSN se estendem por toda a região Sul Fluminense, abrangendo suas diversas indústrias, como a Usina Presidente Vargas, CBS, CBSI, Fundação CSN, CSN Porto Real, CSN Cimentos, Prada Resende e Prada Valença. Do total de mais de 40 mil empregos criados pelo grupo no Brasil e no exterior, mais da metade estão concentrados nesta região.
Aliás, vale lembrar que em 2024, a empresa aplicou cerca de R$ 1 bilhão na modernização das sinterizações, baterias de coque e melhorias de processos. Além disso, iniciou um investimento de R$ 700 milhões na reforma do Alto-Forno 2, com conclusão prevista para 2025, totalizando R$ 1,6 bilhão. As obras geraram mais de 3.000 novas oportunidades de trabalho somente na UPV.
Implantação da usina
Só que, muito além de investimentos atuais, é preciso relembrar que a siderúrgica também teve um papel fundamental para a construção de Volta Redonda que, inclusive, é conhecida como 'Cidade do Aço'.
Na década de 40, a cidade era apenas um distrito de Barra Mansa chamado Santo Antônio de Volta Redonda. Com a assinatura do decreto para criação da CSN, assinado por Vargas, a siderúrgica foi erguida por diversos operários, apelidados de arigó. Em paralelo com a construção da indústria, também era construída a cidade operária e a implantação de uma escola profissionalizante, mais tarde batizada de Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC).
Entre 1946 e 1948 a siderúrgica iniciou seu funcionamento, até operar com totalidade. Pouco tempo depois, por volta de 1951, o movimento emancipacionista tomou forças e em 17 de Julho de 1954, por fim, nascia o município de Volta Redonda.
Segurança nacional
A CSN foi constituída como empresa de capital misto, sendo inaugurada apenas em 1946, na administração Dutra. No auge das obras chegaram a trabalhar em Volta Redonda quase 10 mil homens e a usina ganhou status de instalação militar de "segurança nacional". A decisão de construir uma cidade foi uma necessidade de acomodar a imensa mão de obra necessária para construir e manter o funcionamento da usina.
Aliás, a siderúrgica se transformou na principal fonte do aço brasileiro. Para se ter ideia, a construção de Brasília, a Ponte da Amizade para o Paraguai, os metrôs do Rio e de São Paulo e a avenida Atlântica, no Rio, todos são marcos que consumiram aço da cidade.
Com a inauguração do Alto-Forno I, a usina inicia oficialmente a produção de aço. As minerações Casa de Pedra, em Congonhas, e Arcos, no município de mesmo nome, são incorporadas à CSN, assegurando a autossuficiência em minério de ferro e em fundentes - calcário e dolomita. Pouco tempo depois, em 1954, a usina ganha o Alto-Forno II.
"A usina foi idealizada como uma 'company-town' (cidade-empresa), com moradias subsidiadas e uma ampla rede de serviços urbanos, que seriam referência da modernidade industrial e do progresso social do Brasil. Com a CSN o governo queria afirmar a possibilidade de relações trabalhistas sem conflitos entre capital e trabalho, encorajando a direção da empresa a aplicar as conquistas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943", afirmou Oliver Dinius, em entrevista à revista Fapesp.
Privatização
Em 1993, a CSN passa por um processo de privatização e a companhia inicia uma nova era de modernização, expansão e internacionalização. No mesmo ano, a empresa emite ADRs (American Depositary Receipts) de nível I (mercado de balcão) na Bolsa de Nova Iorque (NYSE).
Já em meados de 2001, foi iniciado o processo de internacionalização com a constituição da CSN LLC, nos Estados Unidos - e se consolida com a incorporação da Lusosider, em Portugal. O ativo nos EUA é vendido em 2018, mas a presença comercial da CSN no país norte-americano se mantém.
Foi em Nova Iorque, inclusive, que o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, acompanhado da diretoria da empresa, tocou o sino de encerramento do pregão da NYSE. Foi celebrada a conquista do recorde de mais de 38,5 milhões de toneladas de minério de ferro em vendas em 2019.