Bullying atinge 4 em cada 10 estudantes no país

Levantamento foi divulgado pelo IBGE no final de março

Por

O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado nesta terça-feira, 7 de abril, chama a atenção para um problema persistente no ambiente escolar brasileiro. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgados pelo IBGE no fim de março, revelam que 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying. Entre as meninas, o índice é ainda maior, chegando a 43,3%.

O levantamento também aponta que os principais motivos das agressões estão relacionados à aparência. Questões envolvendo rosto e cabelo correspondem a 30,2% dos casos, seguidas pela aparência do corpo (24,7%) e por cor ou raça (10,6%). Além disso, quatro em cada dez estudantes afirmam já ter sido alvo de bullying, e 27,2% relatam ter sofrido algum tipo de humilhação de forma repetida, duas ou mais vezes.

A neuropsicopedagoga Carollini Graciani explica que o bullying é caracterizado por comportamentos repetitivos de agressão física ou psicológica, com intenção de intimidar ou humilhar. "Existem várias formas do bullying acontecer dentro da escola, como discriminação, deboche, violência física ou psicológica, além do cyberbullying, que é quando essas atitudes acontecem nas redes sociais fora do ambiente escolar", afirma.

Segundo a especialista, os impactos podem ser profundos e duradouros. "Essa prática violenta causa diversos impactos na vida de crianças e adolescentes, como a queda de desempenho e evasão escolar, baixa autoestima, isolamento social, e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, podendo chegar à ideação suicida", acrescenta.

Sinais de alerta e prevenção

Carollini destaca que mudanças de comportamento podem indicar que a criança ou adolescente está sendo vítima. "Mudanças bruscas de comportamento, desinteresse, isolamento, tristeza, baixa autoestima, agressividade, irritabilidade, não querer ir para a escola, choro sem motivo aparente, material escolar ou uniforme escolar rasgados, além de hematomas pelo corpo, esses podem ser os primeiros sinais", explica.

Para a especialista, o diálogo dentro de casa é essencial. "É importante que, cada vez mais, os pais dialoguem com seus filhos todos os dias, seja ao buscar na escola, seja no fim do dia, na hora de dormir", orienta.

Trabalho contínuo
nas escolas

A prevenção, no entanto, depende de uma atuação conjunta entre família e escola. "As famílias precisam fortalecer esse filho diante das situações da vida, ajudá-lo a ter confiança e autoestima, informar sobre a prática do bullying para que ele possa detectar se vier a se tornar uma vítima, mas também precisam dialogar ensinando caráter e valores para que esse filho não se torne um praticante", destaca.

No ambiente escolar, a pedagoga reforça a necessidade de medidas permanentes e estruturadas. "A escola precisa ter protocolos de intervenção e sanções em casos de bullying, e deixar isso bem claro aos alunos e suas famílias, inclusive sobre o ciberbullying", afirma. Ela também ressalta que o tema deve ser trabalhado ao longo de todo o ano letivo, com ações contínuas e não apenas pontuais. "O bullying não é para ser abordado apenas no Dia de Combate ao Bullying ou quando acontece um caso, isso é um trabalho que precisa ser feito no cotidiano escolar", completa.

Como forma de ampliar o debate e estimular a empatia, a especialista também sugere o uso de obras literárias adequadas a cada faixa etária, estratégia que pode contribuir para a conscientização de crianças e adolescentes e fortalecer a cultura de respeito dentro e fora da escola.