Pesquisa analisa frutas próximas à unidade da INB
Estudo do IF Baiano identificou baixas concentrações de urânio em mangas
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Federal Baiano (IF Baiano), com apoio técnico e laboratorial da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), identificou concentrações muito baixas de urânio em mangas cultivadas na região de Lagoa Real, no sudoeste da Bahia. Os resultados não indicaram exposição significativa ao elemento pelo consumo das frutas analisadas.
O estudo foi desenvolvido no Campus Guanambi do IF Baiano e contou com a participação da Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, em Caetité. A pesquisa buscou verificar a presença do elemento químico nas frutas e comparar os resultados de áreas com características geológicas diferentes, incluindo locais próximos à unidade industrial.
As amostras foram coletadas em três tipos de áreas: regiões com ocorrência natural de urânio, pontos próximos à URA e locais utilizados como referência, fora dessas zonas. A comparação permitiu avaliar as concentrações encontradas em diferentes condições ambientais.
As análises identificaram valores entre 0,0088 e 0,0334 becqueréis por quilograma (Bq/kg), equivalentes a concentrações muito pequenas de urânio. Segundo o estudo, mesmo nas amostras com os maiores valores, a exposição estimada pelo consumo das frutas ficou muito abaixo das referências internacionais utilizadas na avaliação toxicológica.
A pesquisa foi realizada por Caio Vitor Santos Batista Lopes, estudante de Química do IF Baiano, sob orientação de Hector Hugo, gerente de Operação e Beneficiamento da URA. Para realizar as análises, foi utilizada a espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), técnica capaz de detectar quantidades muito pequenas de elementos químicos.
De acordo com Lopes, a escolha da manga levou em consideração a presença da fruta na produção agrícola e na alimentação da população local. O objetivo foi investigar como o urânio, que ocorre naturalmente nas rochas e nos solos da região, pode estar presente em produtos cultivados nessas áreas.
Conhecimento técnico de décadas
Hector Hugo destaca que a INB disponibilizou sua estrutura laboratorial e o conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas de monitoramento ambiental para contribuir com o trabalho. A participação da empresa permitiu apoiar a realização das análises e ampliar o conhecimento científico sobre a presença de urânio em alimentos produzidos na região.
Para o coordenador do curso de Química do IF Baiano - Campus Guanambi, Raimundo Francisco dos Santos Filho, a pesquisa demonstra a importância da aplicação de métodos científicos para investigar elementos presentes naturalmente no ambiente e compreender suas características.
O estudo também reforça a importância de distinguir a simples detecção de urânio da avaliação dos riscos associados à exposição. Como não há um limite específico estabelecido para a concentração do elemento em mangas, os pesquisadores utilizaram referências internacionais de ingestão tolerável para analisar os resultados.
Os dados se referem às amostras examinadas e não representam, isoladamente, uma avaliação de todos os alimentos produzidos na região. A pesquisa poderá contribuir para novos estudos sobre a presença de elementos químicos em produtos agrícolas e em outros componentes ambientais do sudoeste baiano.