CSN busca aliviar dívida com venda de usina alemã
Negócio de R$ 3,1 bilhões deixa mercado no compasso de espera
O fechamento do pregão da Bolsa de Valores (B3), nesta terça-feira, dia 13, dará o tom exato sobre a repercussão das negociações divulgadas pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) com relação à venda de uma siderúrgica na Alemanha por 550 milhões de euros. Ou seja: algo em torno de R$ 3,1 bilhões. O acordo prevê um período de exclusividade de até dez semanas para a negociação e a assinatura dos documentos definitivos.
A negociação entre a Stahlwerk Thüringen (SWT), unidade de aços longos, na Alemanha, faz parte do programa de desinvestimentos da CSN, anunciado em janeiro deste ano, com intuito de reduzir a dívido do Grupo nas alturas.
Análise da XP Investimentos aponta a transação como marginalmente positiva. Para os analistas, "a venda contribui para o fortalecimento do balanço patrimonial e pode amenizar parte das preocupações com o elevado endividamento do grupo".
Venda por R$ 3,1 bilhões
O anúncio sobre a operação foi realizado sob o comando do novo presidente da empresa, Fabio Schvartsman. Ele assumiu o cargo em setembro, justamente com a expectativa de colocar em prática o plano para reduzir a dívida da empresa. Em fato relevante, divulgado na sexta, após o fechamento do mercado, a CSN confirmou que a transação faz parte de seu programa de desinvestimentos.
O acordo, segundo o comunicado, prevê um período de exclusividade de até dez semanas para a negociação e a assinatura dos documentos definitivos. Isso significa que o anúncio ainda não representa a conclusão da venda. As partes precisam finalizar a documentação e cumprir as condições estabelecidas para efetivar a transferência do ativo.
CSN comprou usina alemã em 2012
A CSN adquiriu a Stahlwerk Thüringen em 2012, por 482,5 milhões de euros. O investimento fazia parte da estratégia de Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração da empresa e ex-presidente executivo do Grupo, de internacionalizar os negócios da Companhia.
Agora, a possível mostra uma mudança de estratégia para o ativo, que deixará o portfólio do grupo caso a transação seja concluída. A companhia já havia vendido suas operações siderúrgicas nos Estados Unidos para a Steel Dynamics, em 2018.
Endividamento nas alturas
No final de junho, a CSN tinha dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes, indicador que relaciona o endividamento líquido ao Ebitda acumulado em 12 meses.
O nível de alavancagem é acompanhado de perto por credores e investidores porque ajuda a dimensionar o peso da dívida em relação à capacidade operacional de geração de resultados.
No segundo trimestre, a CSN apresentou Ebitda ajustado de R$ 2,77 bilhões e fluxo de caixa livre positivo de R$ 808,1 milhões. Apesar desses números, o volume de compromissos financeiros continua exigindo medidas para reforçar o balanço e administrar os vencimentos.
Cimento pode ser a próxima
A CSN Cimentos - outro braço do conglomerado - também está na lista de vendasa. Desde agosto, a CSN diz que analisa propostas vinculantes para o negócio. As cifras envolvendo a operação atingiriam até R$ 10 bilhões. Detalhe: a CSN Cimentos é a segunda maior produtora de cimento do Brasil, com capacidade instalada de 16,3 milhões de toneladas por ano e sete unidades fabris.