CSN troca comando em meio à crise e à pressão por venda de ativos

Após 24 anos à frente da companhia, Benjamin Steinbruch entrega a presidência a Fábio Schvartsman, que terá como principal missão reduzir o endividamento do grupo

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Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da CSN, deixa comando da empresa e meio à grave crise financeira do conglomerado

Depois de 24 anos, o empresário Benjamin Steinbruch deixará o comando da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), marco da industrialização no governo de Getúlio Vargas. O novo presidente será Fábio Schvartsman, que assume o cargo já nesta quinta-feira, dia 03, conforme comunicado relevante da empresa enviado ao mercado no final da tarde de quarta-feira, dia 02. A mudança na presidência foi aprovada em reunião do conselho de administração da empresa, que passará agora a ser presidido por Steinbruch. O executivo foi presidente do conselho entre os anos de 1995 a 2023.

-Era o momento de trocar de posição. Foi um ciclo de realização de muita coisa e agora a gente se propôs a fazer uma mudança na companhia, priorizando a desalavancagem, uma melhor estrutura de capital e os ativos que têm maior margem - disse Steinbruch ao Brazil Journal.

Crise e venda de ativos

A mudança no comando da empresa ocorre em meio às negociações para a venda da CSN Cimentos, um dos braços do Grupo CSN. A finalidade da venda de uma das principais cimenteiras do país é arrecadar ao menos R$ 15 bilhões. O valor será usado para reduzir a dívida bilionária que Steinbruch enfrenta nos últimos anos. As propostas estariam girando em torno de R$ 12 bilhões e estão sendo analisadas. Detalhe: a decisão pode ocorrer ainda esta semana, sob a batuta do novo presidente do Grupo.

Em entrevista ao NeoFeed, Steinbruch afirmou que Fabio Schvartsman "vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível".

A Morgan Stanley está assessorando a transação. Entre os interessados, a J&F Investimentos, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista e que teria oferecido R$ 10 bilhões pela unidade inteira. Os outros possíveis compradores seriam um consórcio formado pela Votorantim e a italiana Cementir, além da chinesa Huaxim.

Prejuízo

Balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) da CSN registrou prejuízo líquido de R$ 773 milhões e mostrou crescimento operacional, com receita líquida de R$ 11,30 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,77 bilhões. O endividamento continua sendo o calcanhar de Aquiles do Grupo CSN: a dívida líquida fechou junho em R$ 42,13 bilhões. Ou seja: maior do que os R$ 35,65 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.

Setor de minério

Um dos braços fortes do conglomerado, a CSN Mineração apresentou no 2T26 lucro líquido de R$ 219,4 milhões no segundo trimestre de 2026. Um crescimento de quase 90% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Já Ebitda ajustado teve recuo de 20% ano a ano, alcançando a cifra de R$ 1,02 bilhão.

Quem é o novo
presidente da CSN

Formado em engenharia de produção pela USP (Universidade de São Paulo), Schvartsman construiu a carreira em grandes empresas. Teve passagens pela Ultrapar e pela Klabin. Em 2017, deixou a fabricante de papel e celulose para assumir o comando da Vale.

Schvartsman estava à frente da mineradora quando houve o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. Pouco mais de 1 mês depois, pediu afastamento da presidência. Desde então, não havia voltado a ocupar um cargo executivo. Atualmente, integra o Conselho de Administração da Vibra Energia.