Reunião sobre usina Angra 3 é novamente adiada

Encontro iria pautar ainda suspensão temporária das dívidas da Eletronuclear

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O encontro marcado nesta quarta-feira (24) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que discutiria sobre o imbróglio que envolve a usina nuclear de Angra 3 foi novamente cancelada pelo Ministério de Minas e Energia. A primeira reunião extraordinária iria pautar a um possível mecanismo suspensão temporária de pagamentos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal com relação à repactuação de dívidas da Eletronuclear acerca da usina.

Segundo apuração da MegaWhat, da Uol, durante a reunião prévia realizada na segunda-feira (22), representantes da Casa Civil questionaram a redação da regra proposta, que precisará ser ajustada. Já o Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou a suspensão devido a questões de agenda, sem previsão de nova data.

A atual dívida da Eletronuclear chegou a quantia de R$3,8 bilhões relativo ao aporte feito para as obras da usina nuclear, que fica localizada em Angra dos Reis, na Costa Verde. As obras foram iniciadas ainda na década de 80 e foram paralisadas em 2015, com cerca de 67% dos trabalhos concluídos.

Conforme reportagem do Correio Sul Fluminense explicou na edição de 16 de junho, a intenção ao suspender a dívida é para ganhar fôlego e manter o caixa necessário para sustentar a estatal. Cerca de R$ 130 milhões do empréstimo já foram quitados mas, desde 2025, a empresa pede socorro à União para evitar colapso financeiro.

Alerta do TCU

A situação chegou a um nível que o Tribunal de Contas da União (TCU) alertou ao CNPE, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira, que "caso decida autorizar a outorga de Angra 3, estabeleça limites para que novas ineficiências ou outros atrasos na obra não possam mais ser incorporados ao preço a ser aprovado, tornando os respectivos custos como risco da concessionária, e não mais custos a serem cobertos pelos consumidores", diz o texto do acórdão aprovado em plenário.

Também foi determinado que o governo, ao aprovar os preços da energia gerada em Angra 3, justifique a decisão levando em conta estudos sobre modicidade tarifária e impactos ao consumidor, além dos custos de um eventual abandono da obra.

Simulado

Aliás, a Eletronuclear realiza um Exercício Simulado de Incêndio (ESI) nesta quinta-feira (25), a partir de 10h, na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). O exercício simulado vai envolver a brigada de incêndio da empresa e o Corpo de Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ). A estratégia é simular um incêndio com vítimas na área controlada da usina Angra 2. Devido à atividade, é possível que haja movimentações incomuns de viaturas próximo à área da central, o que não deve preocupar a população.

Carlos Elysio Alhanati, da Diretoria de Operação (DO), explicou que embora as simulações de incêndio sejam realizadas regularmente duas vezes ao ano, desta vez a intenção foi tornar o exercício mais complexo. "Esses exercícios promovem uma integração entre as forças de combate a incêndio da Eletronuclear e dos bombeiros militares do estado do Rio de Janeiro e dessa vez estamos aumentando a complexidade da simulação onde foi incluída a componente radiológica. Esse cenário exige o emprego de técnicas específicas e permite que eles conheçam melhor as peculiaridades da central nuclear", comentou Alhanati.