Usina nuclear volta a operar após parada para reabastecimento
Conselho de Administração da Eletronuclear deve discutir emissão de debêntures
A usina nuclear Angra 2 foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) na sexta-feira (13), após a conclusão da 21ª parada programada para reabastecimento de combustível. Iniciada em 16 de janeiro, a interrupção faz parte do planejamento periódico de manutenção da unidade, que inclui inspeções, testes e modernizações para garantir a segurança e a eficiência da geração de energia.
O Conselho de Administração da Eletronuclear deve se reunir nesta terça-feira, dia 17, para definir a emissão de debêntures de R$ 2,4 bilhões. Os recursos serão destinados à modernização e reforma de Angra 1 e vão representar um alívio de caixa para a estatal federal que opera no vermelho desde o ano passado. O aporte deve ser dado pela Âmbar Energia, que assumiu as ações da Axia Energia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou, na semana passada, que a reunião do Conselho da Eletronuclear para discutir captação de recursos, mas não detalhou a operação.
A manuntenção de Angra 1
As obras da parada da usina Angra 1 mobilizaram em torno de mil profissionais, entre empregados da Eletronuclear e especialistas de empresas parceiras. As equipes atuaram em regime contínuo, com turnos ao longo de 24 horas, para cumprir o cronograma da parada e assegurar a retomada segura das operações.
Entre os principais serviços executados esteve a substituição do disjuntor do gerador principal, equipamento responsável por proteger o gerador e conectar a energia produzida pela usina ao sistema elétrico nacional. O novo modelo utiliza tecnologia mais moderna, acionada por molas e com uso de gás SF6 para extinguir o arco elétrico durante as manobras, substituindo o antigo sistema pneumático e aumentando a confiabilidade.
Também foram realizadas inspeções e melhorias no gerador principal, incluindo reparos em pontos quentes no estator. As intervenções contribuem para preservar o desempenho do equipamento e ampliar sua vida útil, garantindo o funcionamento do conjunto turbina-gerador no próximo ciclo de operação.
Outro conjunto de serviços ocorreu na tomada d'água da usina, estrutura responsável pela captação da água do mar utilizada no resfriamento dos sistemas. Nesse setor foram feitas revisões em tanques de óleo usados na lubrificação das bombas de refrigeração, substituição de bombas e motores, troca de dutos flexíveis e instalação de novas válvulas que devem facilitar futuras manutenções.
Vida útil de mais 20 anos
Segundo o superintendente de Angra 2, Fabiano Portugal, o resultado da parada reflete o planejamento e a integração das equipes envolvidas.
"A parada programada é um momento essencial para realizarmos uma grande revisão na usina, com atividades que garantem a confiabilidade dos equipamentos e preparam a unidade para um novo ciclo de geração (...). Estamos trabalhando para que Angra 2 possa operar por mais 20 anos após os 40 anos iniciais", afirmou.
O presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, também destacou o trabalho voltado ao controle financeiro durante o período. "Temos a perspectiva de alcançar uma unitização de aproximadamente 45% dos custos envolvidos. Esse processo incorpora os investimentos realizados em ativos no pleito do reajuste tarifário, fato que, com certeza, reforçará o equilíbrio financeiro da empresa", disse.
As paradas para reabastecimento ocorrem, em média, a cada 13 meses e são planejadas com antecedência em coordenação com o ONS.