Steinbruch planeja vender usina siderúrgica de Volta Redonda-RJ
Empresa é marco da industrialização do país e foi onde o executivo iniciou sua escalada de poder
O CEO do Grupo CSN e presidente do Conselho de Administração, Benjamin Steinbruch, cogita a possibilidade de vender uma fatia ou até mesmo o controle total da CSN Siderurgia. Ou seja: a Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda-RJ, está no pacote. A informação foi dada com exclusividade pelo Valor Econômico, nesta segunda-feira, dia 26; dias após o anúncio de um plano estratégico para reduzir a dívida do Grupo em até R$ 18 bilhões. A CSN informou que não irá se posicionar sobre o assunto.
Segundo informações do jornal, o CEO da CSN estaria, inclusive, tendo conversas informais com concorrentes para sondar o interesse na aquisição de uma participação relevante, ou até mesmo de 100% do negócio siderúrgico. Na verdade, em um comunicado enviado ao mercado no dia 15 de janeiro, Steinbruch tinha sinalizado a intenção de encontrar um sócio no negócio de siderurgia, que representa cerca de 50% do seu faturamento total do Grupo. Mas, ainda de acordo com o comunicado, o plano para encontrar essa parceria seria executado a médio e longo prazo.
"Precisamos passar por investimentos muitos fortes, todas as siderúrgicas do país, e buscar a forma de como fazer isso como os asiáticos e europeus", afirmou Steinbruch, durante a apresentação do projeto de alavancagem financeira e reorganização dos negócios.
A CSN é um dos maiores complexos siderúrgicos do Brasil, atuando de forma integrada desde a mineração até a produção de aços planos, revestidos e longos, com destaque justamente para a Usina Presidente Vargas em Volta Redonda. Só para se ter uma ideia da importância desse braço do Grupo, a CSN foi a primeira produtora de aço plano no Brasil, fornecendo aços para diversos setores.
A ascensão de Benjamin Steinbruch começou com a privatização da empresa, em 1993, no governo de Itamar Franco. Na ocasião, o consórcio que venceu leilão era formado pelo grupo Vicunha - da família de Steinbruch - e os bancos Bradesco e o extinto Bamerindus. A partir da venda da CSN, Steinbruch vislumbrou uma escalada para deter o controle acionário e saiu vitorioso na briga com Marcos Jacobsen, um alto executivo do ex-Bamerindus, que também queria deter o controle da maior siderúrgica da América Latina.
Com 100% das ações da CSN, Steinbruch passou a ser conhecido por sua ousadia nos negócios e, principalmente, por comandar a siderúrgica com mãos de ferro. Começou a diversificar os negócios para as áreas de mineração, energia, infraestrutura, cimentos, e tantos outros ligados à cadeia de siderurgia.
Os principais braços da CSN
CSN Mineração - focado na extração e comercialização de minério de ferro
CSN Inova - Inovação da empresa, focado em soluções tecnológicas, incluindo a CSN Inova Ventures para investimentos em startups (Indústria 4.0).
Logística e Infraestrutura - inclui terminais portuários no Rio de Janeiro e a ferrovia Transnordestina.
CSN Cimentos - dedicado à produção e comercialização de cimentos, com planejamento de reestruturação de ativos.
CSN LLC - distribuição baseado nos EUA, atendendo portos como Houston e Filadélfia com produtos siderúrgicos.
Energia - atuação em energia para suprir as necessidades operacionais do Grupo
O plano de desalavancagem
Em todo o processo de domínio da CSN, a dívida do Grupo, crescente ao longo dos anos, sempre assombrou Steinbruch e amedrontou o mercado. Tanto é que o projeto anunciado, na semana passada, foi recebido com ceticismo por uma parte dos especialistas, em virtude de outros anúncios feitos sem o resultado esperado. Os papéis da empresa tiveram queda na Bolsa de Valores no dia da apresentação do plano e depois se recuperaram.
"Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse", argumentou Steinbruch
Entre as medidas, está a possibilidade de venda, a curto prazo, da CSN Cimentos e de uma parte da CSN Infraestrutura. A previsão, segundo a empresa, é de que os acordos vinculantes sejam concluídos até o quarto trimestre deste ano. Foram contratados assessores financeiros para cuidarem das transações.
Já a CSN Infraestrutura, que terá uma parte colocada à venda, reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais considerados estratégicos para o escoamento de commodities no país.
A operação entre a MRS e a CSN Mineração, que aumentou sua participação acionária na empresa de logística, foi um dos passos para a desalavancagem. Na verdade, as duas operações foram feitas entre companhias do mesmo grupo. A CSN Mineração comprou as ações que a CSN possuía na MRS.
