Mesmo com altos juros, setor imobiliário tem boas expectativas para 2026
Volta Redonda tem 'boom' de novos empreendimentos que oferecem condições flexíveis
Por Ana Luiza Rossi
Mesmo com um cenário de altos juros em 2025, a projeção para 2026 no mercado imobiliário é positiva. Isso porque, com o impulso do pacote de medidas governamentais e uma possível queda gradual das taxas dos financiamentos, mais famílias poderão se enquadrar nos requisitos para conseguir o crédito.
Segundo o vice-presidente de locação e comercialização imobiliária do Secovi Rio (Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro), Leonardo Schneider, mesmo com a taxa Selic em torno de 15%, 2025 encerrou com recorde em vendas de imóveis na capital.
- Neste cenário todo, se houver uma redução da taxa de juros, 2026 tem tudo para ser um ano, no mínimo, igual a 2025. Claro que temos incertezas devido o cenário político, é um ano de direções. Também há o cenário internacional, com posição sobre guerras e discussão de territórios que também podem impactar a moeda, que pode ser até favorável. Isso gera muita movimentação - pontuou.
Quem também avalia na mesma perspectiva é a CEO da Simone Freitas Imóveis. Segundo a proprietária, o mercado imobiliário de fato passa por um momento desafiador e, especialmente no interior do Estado, como em Volta Redonda.
Além dos juros, fatores como baixa renda são um dos principais impeditivos para quem busca um imóvel na cidade. Para se ter ideia, segundo o Censo de 2023 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a média salarial na Cidade do Aço gira em torno de 2 salários mínimos.
Flexibilidade
Em contrapartida, especialmente para quem busca empreendimentos novos, é que as construtoras tentam buscar se adaptar ao cliente. Segundo a CEO, na tentativa de driblar o cenário dos altos juros, diversos empreendimentos já apostam em flexibilidades na hora de fechar o imóvel como valor de entrada parcelado, prazos ajustáveis e negociações diretas para evitar burocracias, o que mantém a busca por imóveis residenciais na cidade seguirem de vento em popa.
- Costumo dizer que nem todo imóvel serve para todo mundo. Mas quando você descobre o que te atende, não se torna mais uma corrida de preços. Isso dá maior abertura para que o cliente possa encontrar o que queira - destacou.
Aliás, há um perfil bem definido de consumidores. Na cidade, os principais bairros que são buscados para firmar moradia é no Aterrado, Vila Santa Cecília, Jardim Amália e Jardim Belvedere, sendo maioria dos grandes compradores da própria cidade, que investem a partir de R$ 250 mil.
No caso do primeiro imóvel, a faixa etária varia de 25 a 35 anos, com casais ou famílias jovens, que optam por sair do aluguel e comprar a primeira casa dentro das condições de financiamento.
Já os clientes mais velhos, também investem em empreendimentos novos. No caso dos apartamentos, o elevador é um dos itens inegociáveis para se ter. No caso de imóveis já usados, focam principalmente em casas lineares.
- Há empreendimentos novos por toda cidade, como o TD Origens, da Construtora Tostes & Diniz, que vai sair no Aterrado. Na Colina, há o Raquel de Queiroz, pela construtora Nova Reis, e no bairro Conforto, tem o Polo Moov, da construtora Polo. Há opções para todo tipo de pessoa e as expectativas continuam se mantendo excelentes - destacou a CEO.
Sobre a taxa de juros
Segundo Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), um estudo da entidade mostra que cada ponto percentual de queda na Selic tem o potencial de incluir 160 mil novas famílias no mercado de financiamento.
A expectativa de especialistas é que 2026 seja um ano de transição, com mais crédito disponível, mas sem o salto transformador que muitos no setor esperavam. Pelo menos, até que a Selic caia de fato.
O Copom (Comitê de Política Monetária) fechou 2025 com a taxa básica de juros em 15% ao ano no nível mais alto em quase duas décadas. O mercado espera queda de juros ao longo de 2026.
Há ainda a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, criada para atender a parcela da população que ficou espremida entre os programas habitacionais e o crédito de mercado. A modalidade combina uso do FGTS, prazos mais longos e taxas inferiores às praticadas no crédito livre, além de permitir financiar imóveis de valor mais alto.
Renato Correia, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), diz que o ano de 2025 foi "robusto" para o mercado imobiliário, mas há gargalos estruturais para 2026.
- Além da taxa de juros, a competição pela mão de obra continua bastante demandada e o grande problema que eu vejo é que vamos entrar numa industrialização, mas o processo de registro, a aprovação de prefeitura, essa dinâmica [burocracia] ainda não acompanha - afirmou.
*Com informações da Folhapress
