CSN anuncia plano para reduzir dívida em R$ 18 bi
Grupo venderá CSN Cimentos e busca sócio para a siderurgia
Por Sônia Paes
A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) divulgou comunicado ao mercado, nesta quinta-feira, dia 15, com o plano para desalavancagem financeira e reorganização dos negócios. Entre as medidas, a possilibidade de venda, ainda este mês, da CSN Cimentos - um dos braços da empresa - e de uma parte da CSN Infraestrutura. A previsão é de que os acordos vinculantes sejam concluídos até o quarto trimestre deste ano.
Foram contratados assessores financeiros para cuidarem das transações, que serão colocadas em prática ainda este ano. As vendas nas participações dos ativos visam desalavancar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões do balanço e permitir que a holding foque em negócios com maior potencial de lucro.
- As vendas de participação nos ativos estarão sujeitas a condições usuais a transações similares, incluindo obtenção de aprovações legais, concorrenciais e regulatórias, sem prejuízo de outras a serem eventualmente previstas nos documentos definitivos das respectivas operações - informou o fato relevante divulgado ao mercado.
A apresentação do plano a investidores teve a participação de diretores e de Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho de Administração e CEO da CSN, conhecido por comandar o grupo com mãos de ferro. "Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN. Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse", sentenciou Steinbruch. O executivo afirmou que o nível de juros do país dificulta investimento e tem pressionado o endividamento do grupo.
CSN e MRS
Um movimento já realizado para a desalavancagem foi a operação entre a MRS e a CSN Mineração, que aumentou sua participação acionária na empresa de logística. Na verdade, as duas operações foram feitas entre companhias do mesmo grupo. A CSN Mineração comprou as ações que a CSN possuía na MRS.
"Com a conclusão das duas partes da transação, a CMIN [CSN Mineração] passa a deter 101.079.639 ações, representativas de 29,91% do capital social da MRS, enquanto a CSN fica com participação de 7,59%, equivalente a 25.636.431 ações", informou a MRS Logística em seu comunicado.
Sócio na siderurgia
E mais: Benjamin Steinbruch anunciou que pensa até em encontrar um sócio no negócio de siderurgia, que representa algo em torno de 50% do seu faturamento total. O projeto para achar um parceiro para a área de siderurgia seria executado a médio e longo prazo. "Precisamos passar por investimentos muitos fortes, todas as siderúrgicas do país, e buscar a forma de como fazer isso por meio como os asiáticos e europeus", afirmou Steinbruch, durante a apresentação.
A CSN é um dos maiores complexos siderúrgicos do Brasil, atuando de forma integrada desde a mineração até a produção de aços planos, revestidos e longos, com destaque justamente para a Usina Presidente Vargas em Volta Redonda-RJ.
Só para se ter uma ideia da importância desse braço, a CSN foi a primeira produtora de aço plano no Brasil, fornecendo aços para diversos setores, como automotivo, embalagens, as chamadas folhas de flandres e construção. A empresa possui unidades ainda em Porto Real-RJ, Araucária-PR, além de Volta Redonda-RJ e operações internacionais.
Já a CSN Infraestrutura, que terá uma parte colocada à venda, reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais considerados estratégicos para o escoamento de commodities no país.
CSN Cimentos
A CSN iniciou a produção de cimento em 2009, no Estado do Rio. Em 2015, a nova fábrica de cimentos localizada em Arcos-MG começou a operar, elevando a capacidade instalada da empresa. Em 2021, a CSN expandiu sua atuação no segmento ao realizar a compra da Elizabeth Cimentos. Em 2022, veio a aquisição da LafargeHolcim. Mais cinco unidades integradas de produção de cimento foram incorporadas, bem como cinco moagens nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, além de reservas de calcário de alta qualidade, uma plataforma de produção de combustíveis alternativos, 19 unidades de concreto e seis de agregados. Com isso, a CSN tornou-se a segunda maior produtora de cimentos do Brasil.
CSN Mineração
A CSN Mineração é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil e está entre as cinco mais competitivas no mercado transoceânico. Com reservas certificadas em mais de 2 bilhões de toneladas de acordo com Joint Ore Reserves Committee (JORC), a empresa detém as minas de Casa de Pedra e do Engenho, o complexo de beneficiamento do Pires, participação na ferrovia MRS e terminal cativo para exportação de minério de ferro no Porto de Itaguaí.
*Com informações do site da CSN e do MoneyTimes