Comissão Mojubá recebe prêmio por atuação em defesa dos Povos de Terreiro

Grupo, que atua na região Sul Fluminense, recebeu o "Prêmio Baobá", honraria da Alerj

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Honraria foi entregue pelo deputado estadual Jari Oliveira e reconhece trabalho de promoção da liberdade religiosa e dos direitos da população de matriz africana

O trabalho da Comissão de Terreiros do Sul Fluminense Mojubá foi reconhecido com o Prêmio Baobá - Árvore que Simboliza as Raízes da Fé Africana. A honraria foi concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A homenagem, proposta pelo deputado estadual Jari Oliveira, reconhece instituições e lideranças que contribuem para a valorização da cultura afro-brasileira, da liberdade religiosa e da promoção dos direitos dos Povos de Terreiro.

O prêmio foi entregue aos co-presidentes da Comissão Mojubá, Pai Sid Soares, Pai Jeferson e Mãe Ciça, durante cerimônia que reuniu lideranças religiosas, representantes da sociedade civil e autoridades.

Trajetória da
Comissão Mojubá

Criada em 2019, a Comissão Mojubá tornou-se uma das principais articulações dos Povos de Terreiro do Sul Fluminense, reunindo dezenas de comunidades tradicionais em ações voltadas à garantia de direitos, ao combate à intolerância religiosa, à preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro e ao fortalecimento das políticas públicas para as religiões de matriz africana.

Além da atuação institucional, a Comissão é responsável pela criação do Observatório Manoel Congo, iniciativa que produz dados, acompanha violações de direitos, fortalece a participação social e subsidia a construção de políticas públicas voltadas às comunidades de terreiro na região. Durante a cerimônia, Pai Sid Soares destacou que a homenagem ultrapassa o reconhecimento institucional e representa a valorização de uma luta coletiva construída por inúmeras lideranças ao longo dos anos.

— Receber o Prêmio Baobá é uma honra que pertence a todos os terreiros que caminham conosco. Esse reconhecimento reafirma que a organização dos Povos de Terreiro é fundamental para garantir direitos, enfrentar o racismo religioso e construir políticas públicas. A Comissão Mojubá nasceu para unir, dialogar e transformar essa realidade, e o Observatório Manoel Congo amplia esse compromisso ao produzir informações, dar visibilidade às violações e fortalecer a incidência política da nossa comunidade. Quando nossos dados falam, nossos direitos deixam de ser invisíveis — explicou Pai Sid.

O co-presidente também agradeceu ao deputado estadual Jari Oliveira pela homenagem e ressaltou a importância de o Parlamento reconhecer iniciativas que promovem cidadania, igualdade racial e liberdade religiosa.

Para a Comissão Mojubá, o Prêmio Baobá simboliza não apenas o reconhecimento de uma trajetória construída coletivamente, mas também o fortalecimento da luta em defesa da ancestralidade, da democracia e do respeito às tradições afro-brasileiras no estado do Rio de Janeiro.