Os fãs confessam: como é viver a era do novo álbum de Madonna

Após uma semana de lançamento, "Confessions II" continua arrebatando o coração do público

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"Confessions II" é lançado após sete anos de hiato de Madonna

Aguardado pelo público há mais de um ano, o novo álbum de Madonna, "Confessions II", finalmente foi lançado no mês de julho, sendo recebido fervorosamente pelos amantes de música pop. O projeto, anunciado como uma continuação do queridíssimo "Confessions On a Dance Floor" (2005), encerra um hiato de sete anos sem trabalhos inéditos da artista, além de marcar o fim de uma longa sequência de lançamentos que não conquistaram totalmente o público e a crítica. Em meio a toda a repercussão que o álbum tem recebido para além dos seguidores fiéis de Madonna, o Correio conversou com fãs da artista - todos da geração Z, estereotipada como "distante" ao público-alvo da rainha do pop - para descobrir como está sendo experienciar, em tempo real, uma nova época de "Madonna Mania".

Cultivando a admiração

Os três entrevistados pela redação - João, Henrique e Rafaella - tiveram contato com a obra de Madonna logo na infância, por influência de familiares. Cada um deles se tornou fã em fases diferentes da vida: Henrique é fã desde muito pequeno, por influência forte da família; já João se tornou fã por volta dos dez anos de idade, na época do lançamento do disco MDNA (2012).

Rafaela, por sua vez, se rendeu à rainha do pop já adulta. Apesar de ter acompanhado a repercussão de eras mais recentes, o pontapé para conhecer mais a cantora veio com o mega show gratuito em Copacabana, em 2024. "Quando o show foi anunciado, percebi que era uma ótima oportunidade para mergulhar na discografia dela. Não demorou muito para eu perceber que ali estava a origem de praticamente tudo que conhecemos na música pop hoje em dia. Fiquei muito obcecada muito rápido".

O que, exatamente, tem de tão atraente em Madonna é explicado pelos três como um magnetismo natural: a forma como a cantora desenvolve conceitos e escolhe se colocar enquanto artista e pessoa sempre traz à tona estéticas, conceitos e temáticas muito provocativos.

— A Madonna sempre me atraiu por utilizar a provocação dentro da arte, figuras religiosas dentro da arte, a política dentro da arte, e por ela ser uma mulher corajosa, feroz, até meio selvagem no palco. Mas o que mais me influenciou mesmo foi a questão de ela unir espiritualidade, música e arte pop — detalha Henrique.

Expectativas e recepção

Apesar do status sacramentado na "realeza" da música, os lançamentos de Madonna ao longo dos últimos 20 anos não foram tão bem-sucedidos em cativar o público geral. Hard Candy (2008), MDNA (2012), Rebel Heart (2015) e Madame X (2019) são álbuns que, até hoje, fazem parte da lista de álbuns pouco preferidos da maioria dos fãs da cantora.

— Gosto de algumas faixas avulsas, mas destes álbuns em si, não gosto de nenhum por inteiro. Sinto que depois do Confessions [de 2005], ela começou a se preocupar em soar jovem demais misturando gêneros, colaboradores e atitudes mercadológicas muito pretensiosas e apelando demais para fórmulas prontas. Isso, para quem conhece ela, é estranho, porque não é o tipo de coisa que a Madonna faria porque ela não precisa, e quando escutamos qualquer um dos álbuns entre Hard Candy e Madame X, você consegue identificar repertórios muito instáveis e pouco homogêneos - conta João.

Para Rafaella, a diferença de qualidade partiu de diferentes fatores que influenciaram o processo criativo dos álbuns: a escolha de muitos produtores que não formavam um time criativo coeso, momentos de vida em que Madonna não estava tão focada em fazer música e a aposta em sonoridades que não traziam nada de novo em relação ao resto da indústria pop.

Henrique, entretanto, apresenta um contraponto: mesmo reconhecendo a falta de força em relação à antigos trabalhos de Madonna, o fã acredita que esses álbuns foram importantes em garantir a permanência da artista na cultura pop e demonstrar que ela estava antenada à contemporaneidade.

A expectativa dos fãs para o novo álbum passava do 8 ao 80: o álbum poderia representar uma virada de chave positiva no legado recente da artista, ou poderia ser mais uma bola fora que, de queda, amargaria a imagem do primeiro Confessions. Muitos dos fãs já se renderam no período de divulgação, com o lançamento prévio de canções como "I Feel So Free" e pelas estratégias que Madonna decidiu usar para alavancar seu novo trabalho, que se conectam de forma certeira com a proposta do álbum e seu público-alvo; detalhes enfatizados por Henrique.

— Estou adorando o marketing do Confessions II, porque a Madonna sempre teve um apoio muito forte da comunidade LGBTQIA , e ela está fazendo questão de aproximar esse público. Isso aparece nas parcerias que ela está fazendo, inclusive com marcas ligadas à cultura de pista e da noite. Ela fez parceria com a Absolut, uma marca associada à festa e à vida noturna, e também com o Grindr, aplicativo de relacionamento gay. Ela voltou ao palco do Coachella 20 anos depois do primeiro Confessions, mas dessa vez no show da Sabrina Carpenter, que também tem um público LGBTQIA muito forte. Isso mostra como ela continua extremamente antenada e com uma equipe de marketing muito boa.

Na semana que seguiu o lançamento do álbum, a recepção dos fãs foi acalorada: festas de capitais dedicaram noites especiais para ouvir e "louvar" as novas músicas de Madonna, o assunto ainda reverbera em discussões de rede social e as vendas de unidades físicas do disco são crescentes. Os três entrevistados também adoraram o lançamento.

- Achei absolutamente bom, de verdade. Coeso, bem pensado, muito fluido e delicioso de ouvir. Tem música para todos os humores e adorei as autorreferências (risos). Acho que disputa com os melhores álbuns dela no auge - opinou Rafaella, acrescentando que, com esse disco, é "impossível" que as novas gerações não se rendam aos encantos da artista.

Para João, o álbum demonstra que Madonna conseguiu se sintonizar novamente a seu público e consegue se renovar em meio às novas tendências da música pop sem tentar conversar com ritmos que não potencializem sua criatividade. Mais importante que o sucesso, entretanto, é o poder de permanência da cantora em meio a uma indústria musical etarista.

- A essência que esse projeto traz vai além de músicas novas. Está na atitude, na energia, no poder que uma mulher em plenos 67 anos de idade transmite pra todas as gerações passando um recado claro: caia na noite, dance, seja você mesmo, a pista é um lugar sagrado e a música é uma fonte inesgotável de luz - conclui.