Hospital realiza primeira captação de órgãos do ano pelo SUS

Família autorizou a doação após confirmação da morte encefálica do paciente

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Procedimento permitiu a retirada de dois rins e do fígado para pacientes cadastrados na fila única do SUS

O Hospital Municipal Dr. Munir Rafful (HMMR), no bairro Retiro, em Volta Redonda, realizou no último domingo (2) a primeira captação de órgãos de 2026. Dois rins e o fígado de um doador de 71 anos foram retirados por uma equipe do RJ Transplantes - Central Estadual de Transplantes (CET) e destinados a pacientes cadastrados na fila única de transplantes.

O homem estava internado na Sala Vermelha da unidade desde o dia 27 de julho, após ser transferido da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Agostinho. Ele havia recebido diagnóstico de traumatismo cranioencefálico e teve a morte encefálica confirmada no dia 30 de julho.

A autorização para a doação foi concedida pelos familiares após abordagem realizada pelos médicos responsáveis pela Sala Vermelha em conjunto com a equipe de psicologia do hospital. Com a concordância da família, a Central Estadual de Transplantes realizou a captação dos órgãos.

A secretária municipal de Saúde e diretora-geral do Hospital Munir Rafful, Márcia Cury, destacou que a decisão dos familiares representa uma oportunidade de salvar vidas. Segundo ela, mesmo diante da perda de um ente querido, a autorização para a doação pode beneficiar pessoas que aguardam por um transplante.

Ela também chamou atenção para a importância de conversar sobre o tema com os familiares ainda em vida. De acordo com a secretária, apenas parentes podem autorizar a doação de órgãos após a morte. Documentos assinados pelo próprio interessado não têm validade legal para garantir a retirada dos órgãos.

A legislação brasileira determina que a autorização deve ser concedida pelo cônjuge ou por parentes maiores de idade até o segundo grau, como pais, filhos, irmãos, avós e netos. A regra está prevista no artigo 4º da Lei nº 9.434, de 1997. Conforme a Secretaria de Saúde, um único doador pode beneficiar até oito pessoas.

A enfermeira Vera Marques, coordenadora do centro cirúrgico do Hospital Munir Rafful, acompanhou o procedimento realizado pela equipe do RJ Transplantes. Durante a operação, os dois rins captados foram acondicionados em caixas com tecnologia de refrigeração controlada, capazes de ampliar o tempo de conservação dos órgãos e evitar o risco de necrose provocado pelo contato direto com o gelo.

Segundo Vera, os equipamentos substituem as tradicionais caixas térmicas utilizadas no transporte de órgãos. O sistema mantém temperatura estável por meio de monitoramento digital e permite maior segurança durante o deslocamento até os centros transplantadores. As caixas utilizadas na captação também continham a identificação do doador e a indicação de qual órgão estava sendo transportado, diferenciando o rim esquerdo do direito.