Encontro celebra mulheres negras com cultura, debates e direitos
Ação contou com atividades culturais e debates sobre representatividade negra
A sede da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) de Volta Redonda recebeu uma programação voltada à valorização das mulheres negras, com roda de conversa, atividades culturais, beleza e capoeira. A iniciativa reuniu crianças, adolescentes, integrantes da Melhor Idade e representantes de movimentos ligados à cultura afro-brasileira.
Realizado na quarta-feira (29), o evento "Celebrando Mulheres Negras" integrou as ações pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e pelo Dia de Tereza de Benguela, celebrados em 25 de julho. A programação contou com representantes de comunidades tradicionais, projetos sociais e profissionais ligados à cultura negra.
A abertura ficou por conta da roda de conversa com Mãe Célia, do Centro Nossa Senhora da Guia. Também participaram do encontro Almir Gonçalves Fernandes, do Quilombo São José da Serra, e a trancista Luana Domicio dos Santos, autora do Projeto Além das Tranças, realizado em escolas municipais e terreiros de outros municípios.
Durante a atividade, foram debatidos temas como racismo, trajetória das mulheres negras, políticas públicas e espaços conquistados ao longo dos anos. Mãe Célia destacou a importância da união entre mulheres na construção de uma sociedade mais igualitária.
"Antes não tinham espaços como temos hoje para falar das nossas lutas. Se o homem é o braço forte, a mulher é a fortaleza e a ternura. Somos guerreiras e vamos sempre à luta. Almejamos uma sociedade mais igualitária, mais justa, mais humana. A desigualdade é que faz acontecer toda essa violência contra a mulher. Numa sociedade patriarcal sempre foi o homem que decidiu tudo. Precisamos mudar isto com mais mulheres nos poderes municipal, estadual e federal. A mulher é o pilar da transformação da sociedade, uma dando força à outra, independente de religião ou etnia. A mulher faz a diferença para ajudar a construir uma sociedade melhor", comparou.
A subsecretária da SMDH, Juliana Rodrigues, falou sobre a importância da valorização das mulheres negras e destacou o papel das políticas públicas na criação de oportunidades. A assessora técnica do Departamento de Políticas para Mulheres da secretaria, Kátia Teobaldo, afirmou que a data representa uma discussão sobre dignidade, respeito, proteção, igualdade e reconhecimento.
A programação também contou com roda de capoeira com alunas da Mestre Marciana (Márcia Regina dos Santos), integrantes do Programa Curumim, da Casa da Criança e Adolescente e do Instituto Dagaz. As atividades envolveram crianças, jovens e participantes da terceira idade.
O capoeirista Everson Francisco da Silva, conhecido como Mestre Mineiro, participou do encontro acompanhado das alunas Liz Oncinha, Marcinha Oliveira e Isabela Aparecida, da academia Candência de Bamba, no bairro Limoeiro.
"Grande iniciativa para a valorização das mulheres negras. Estou aqui para aprender bastante e participar da capoeira", disse Mestre Mineiro.
Representando o Quilombo São José da Serra, Almir Gonçalves Fernandes falou sobre a contribuição dos quilombos para a formação da sociedade brasileira e a luta pelo reconhecimento das comunidades negras. A trancista Luana Domicio compartilhou sua trajetória profissional e falou sobre o reconhecimento da atividade de trancista como profissão pelo Ministério do Trabalho.
Autora do projeto Além das Tranças, desenvolvido em Barra do Piraí e Barra Mansa, Luana destacou a importância da valorização da cultura negra e do trabalho realizado por mulheres. A iniciativa já formou mais de 70 meninas.