Alerj debate sobre a 'Ilha dos Gatos' em Mangaratiba
MP de Mangaratiba já foi notificado por deputado estadual
A Comissão do Cumpra-se, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), se reuniu em audiência pública na última quinta-feira (04) para debater a situação da Ilha Furtada, em Mangaratiba, conhecida como "Ilha dos Gatos", onde dezenas de felinos vivem isolados após anos de abandono, sem manejo adequado, cuidados veterinários ou alimentação regular. Na reunião, o colegiado informou que pretende apresentar emendas ao orçamento da Alerj para assegurar recursos destinados ao monitoramento da ilha e enfrentamento do abandono de animais no local.
Saúde pública
A presença dos gatos na Ilha também é uma questão de saúde pública, pois as fezes dos felinos podem disseminar Toxoplasma gondii, parasita responsável pela toxoplasmose. Ao atingir o solo e a água, esse material pode ser levado pela chuva até o mar, contaminando o ambiente e representando ameaça à fauna silvestre e a espécies marinhas.
O presidente da Comissão, deputado Carlos Minc (PSB), ressaltou que o problema evidencia como o abandono e a falta de manejo adequado geram impactos que ultrapassam o bem-estar animal e passam a comprometer todo o ecossistema. "Precisamos enfrentar o problema de imediato, mas também usar este episódio para conscientizar sobre os danos ambientais decorrentes do abandono e da falta de responsabilidade," afirmou.
Mangaratiba notificada
Para o presidente da Comissão de Defesa dos Animais, deputado Marcelo Dino (PL), a situação da Ilha dos Gatos exige uma atuação técnica e articulada, já que os animais são selvagens, se reproduzem descontroladamente e não podem ser manejados de forma improvisada.
"É fundamental avançar com medidas responsáveis e apoio de especialistas, para garantir uma intervenção segura e que realmente minimize o sofrimento dos animais", disse.
O deputado Marcelo Dino já realizou fiscalizações no local, atestando a condições sanitárias da Ilha Furtada, e até o momento, segundo Marcelo Dino, o Ministério Público já foi notificado tanto na parte ambiental, em relação à contaminação da água, quanto na parte de proteção animal. Atualmente o deputado aguarda uma resposta do Ministério Público de Mangaratiba.
Fiscalização na área
O subsecretário de Meio Ambiente de Mangaratiba, Adilson Câmara, afirmou que o município tem atuado na fiscalização da área, mas ainda enfrenta limitações de recursos para ampliar as ações.
Ele destacou a busca por novas embarcações e parcerias com a Polícia Federal. "Apesar dos esforços, ainda precisamos de mais estrutura para garantir uma atuação efetiva, e isso só será possível com a união dos órgãos envolvidos. Somando forças, conseguiremos dar uma resposta adequada à região", disse.
A diretora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carla Campello, destacou que o caso vai além da compaixão pelos animais e reflete um problema estrutural que se repete em diversas regiões. Ela reforçou a necessidade de mudança cultural na forma como a sociedade se relaciona com os animais e com o meio ambiente.
"Este episódio mostra, de forma prática, como a saúde humana, animal e ambiental são interligadas, e evidencia a urgência de abandonar a ideia de que os animais podem ser descartados. Precisamos avançar para uma cultura que reconheça essa conexão e responda às crises planetárias que vivemos", pontuou.