Grupo de Caititus é visto em parque do Inea
Registro foi feito em parque ambiental de Valença
Durante o mês de maio, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), flagrou 23 Caititus (Pecari tajacu) passeando no Parque Estadual Serra da Concórdia (PESC). O registro feito no município de Valença, no sul Fluminense, evidencia a saúde do ecossistema. As imagens são das câmeras de monitoramento fornecidas pelo parceiro do órgão, projeto Aventura Animal.
- Um grupo tão grande, significa equilíbrio ambiental, que enfatiza a importância do trabalho feito pelo Inea. Para o ecossistema do Rio funcionar, é necessário a presença de cada indivíduo da fauna e flora da Mata Atlântica - destacou o gestor do Parque Estadual da Serra da Concórdia, Marcelo Moreira
Necessário para manter as populações de predadores como a onça-pintada (Panthera onca), onça-parda (Puma concolor) e jaguatirica (Leopardus pardalis) nas matas e garantir a manutenção da cadeia alimentar, a presença de diversos indivíduos Pecari tajacu, enfatizam o equilíbrio da fauna silvestre do Rio de Janeiro. Além disso, a espécie desempenha um papel equivalente ao de um jardineiro: por ser herbívoro (se alimenta de frutos, brotos, caules e tubérculos), contribui para a germinação de espécies da flora em diferentes áreas.
Com distribuição geográfica do norte dos Estados Unidos ao norte da Argentina, a espécie pode viver até 24 anos. Já a origem do nome "caititu" vem da língua tupi-guarani, que significa "porco do mato". Por andarem em bandos, quando se sentem ameaçados, são capazes de emitir um som semelhante ao latido de um cão doméstico, ao se agruparem, chegam a confrontar os maiores dos predadores, como os felinos, até afastá-los.
Sobre a unidade de conservação
Com uma área de 5.950 hectares de Mata Atlântica, o Parque Estadual da Serra da Concórdia abrange partes dos municípios de Valença e Barra do Piraí. A unidade foi criada em 2002, em área da Fazenda Santa Mônica da Embrapa Gado de Leite, e ampliado em 2016.
Segundo a organização do Parque, a unidade foi criada como consequência a uma supressão histórica da cobertura florestal nativa na região do Vale do Paraíba, que aconteceu principalmente no século 19, com a conversão dessas áreas em plantações de café. Com o fim do ciclo do café, as áreas agrícolas foram abandonadas e deram lugar a pastagens pouco produtivas.
O abandono das atividades agropecuárias na região permitiu a atuação da própria sucessão secundária, também chamada de regeneração natural, das matas do Vale do Paraíba. Com isso, o Parque corresponde hoje ao maior trecho protegido da Serra da Concórdia e integra a Reserva de Biosfera da Mata Atlântica: área considerada como prioritária para conservação. A região apresenta relevo fortemente ondulado e montanhoso com altitudes que variam entre 370 e 1.080 metros. A área do Parque está inserida no domínio da Mata Atlântica.
Também segundo a organização do Parque, há registro de 231 espécies distribuídas em 75 famílias botânicas de Angiospermas e Samambaias e Licófitas. "A lista de espécies de plantas vasculares do Parque Estadual da Serra da Concórdia contribui para melhorar a percepção sobre as lacunas de conhecimento sobre a flora e orienta as estratégias para o monitoramento e a conservação", conclui a equipe.