SES-RJ alerta para fake news sobre vacina da gripe

Estado descarta relação entre vacina da influenza e mortes de idosos

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Vídeos alarmistas que circulam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens voltaram a espalhar desinformação sobre a vacina contra a gripe durante a campanha de imunização deste ano. Entre os conteúdos compartilhados, estão publicações que associam, sem comprovação científica, a vacinação de idosos a mortes registradas após a aplicação das doses. Diante da circulação dessas informações falsas, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) alerta para os riscos provocados pela queda na adesão à imunização.

A Estratégia Nacional de Vacinação contra a Influenza teve início em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A campanha ocorre antes do período de maior circulação do vírus e busca ampliar a proteção principalmente entre os grupos mais vulneráveis às complicações da doença, como idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

No estado do Rio, a preocupação é maior em relação à população acima de 60 anos. Segundo a gerente de Imunização da SES-RJ, Keli Magno, a vacina é segura e indicada justamente para reduzir o risco de agravamento causado pela influenza nessa faixa etária.

"A vacina contra a influenza é segura e amplamente recomendada para pessoas com mais de 60 anos. Isso porque, com o avanço da idade, o sistema imunológico se torna mais frágil, o que aumenta o risco de agravamento em caso de infecção", afirmou.

De acordo com a Secretaria de Saúde, além da maior vulnerabilidade natural do envelhecimento, muitos idosos convivem com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, fatores que podem agravar quadros gripais e aumentar o risco de internações. A imunização, segundo a pasta, ajuda a diminuir complicações respiratórias graves e a mortalidade associada ao vírus.

Outro ponto frequentemente usado em conteúdos falsos envolve os efeitos após a aplicação da vacina. A SES-RJ informa que as reações mais comuns costumam ser leves e temporárias, incluindo dor no local da aplicação, febre baixa, mal-estar e dores no corpo, geralmente desaparecendo em até 48 horas. Eventos graves, segundo a secretaria, são raros e passam por investigação.

Coincidência temporal

Entre os argumentos mais compartilhados por usuários nas redes sociais estão relatos de pessoas idosas que morreram dias após receberem a vacina. A Secretaria de Saúde explica que, nesses casos, é necessário considerar o que os especialistas chamam de coincidência temporal.

O conceito se refere a situações em que um evento de saúde ocorre após a vacinação, mas sem relação de causa e efeito com a dose aplicada. Como campanhas de vacinação atingem milhões de pessoas em um curto período, é esperado que internações, agravamentos de doenças e até mortes aconteçam naturalmente entre parte da população vacinada, especialmente entre idosos.

"Não há casos de morte causados pela vacina da influenza no estado. O que eventualmente ocorre é a coincidência temporal, quando o evento acontece após a vacinação, mas por outro motivo", disse Keli Magno.

Segundo dados da SES-RJ, o estado registrou, até o momento, 299 notificações de eventos adversos após a vacinação contra a influenza em 2026. A maior parte envolve casos leves. Também foram registrados dois óbitos após a imunização, mas ambos foram investigados e descartados como relacionados à vacina.

De acordo com a gerente de Imunização, todos os casos notificados passam por análise técnica, incluindo avaliação clínica, histórico de saúde e exames complementares. A secretaria afirma que não há comprovação de relação causal entre os óbitos registrados e a vacina contra a gripe.