Interdição na Pequetito Amorim afeta trânsito

Bloqueio para obras muda rotas e aumenta tempo de deslocamento

Por

Por Agatha Amorim

A interdição da Ponte Pequetito Amorim, que liga os bairros Niterói e Aterrado, já provoca reflexos no trânsito e no comércio em Volta Redonda. Fechada desde o último sábado (28) para obras de manutenção preventiva, a estrutura deve permanecer interditada por até 15 dias, período em que moradores e trabalhadores enfrentam mudanças na rotina e dificuldades de deslocamento.

Com a alteração no fluxo de veículos, comerciantes de lojas localizadas logo após a ponte relatam queda no movimento. Antes, muitos clientes chegavam diretamente pela ligação entre os bairros, o que foi prejudicado com os desvios. A preocupação é que, com a continuidade da interdição, os prejuízos se acumulem nas próximas semanas.

Os impactos também são sentidos por motoristas, que enfrentam aumento no tempo de deslocamento e dificuldade de adaptação às novas rotas. "Percursos que antes levavam de 5 a 10 minutos, em horário de pico, tenho levado mais de 20 minutos", relatou um condutor.

A sinalização das mudanças tem sido alvo de críticas, com relatos de motoristas que acabaram acessando caminhos incorretos. "O bairro Aterrado está um caos. Afetou o trânsito, até para estacionar está difícil", afirmou Emanuel, motorista que trabalha na região. Segundo ele, o desrespeito à sinalização agrava ainda mais a situação. "Os motoristas não respeitam a sinalização. Em dias de chuva, a situação fica ainda pior", completou.

O acesso ao bairro Niterói também se tornou mais complexo após as alterações no trânsito. Com a interdição da ponte, o trajeto direto foi substituído por um percurso mais longo, que obriga motoristas a seguirem pela Radial Leste e realizarem o retorno por baixo do viaduto até alcançar o núcleo do bairro.

"Para acessar o bairro Niterói, está sendo necessário passar pela Radial Leste e dar a volta por baixo do viaduto para conseguir chegar no núcleo do bairro. Moradores estão encontrando dificuldades", relatou um motorista.

Motoristas de caminhão, que já enfrentavam restrições na região por conta de limites de altura e circulação nas pontes, relatam ainda mais dificuldades com as novas rotas. Para quem não conhece bem a cidade, a situação se torna ainda mais complicada, já que as opções de trajeto ficaram mais restritas e, uma vez dentro do desvio determinado, há pouca possibilidade de mudança de caminho.

Motociclistas também relatam riscos durante o deslocamento. O motoboy Matheus Ferreira afirma que as condições se agravam em dias de chuva. "Fica um caos. A água acumula na parte de baixo da ponte e não tem como passar com segurança", disse.

Além dos transtornos já registrados, motoristas demonstram preocupação com possíveis impactos em períodos de chuva mais intensa. Com a reorganização do trânsito, muitos trajetos passaram a depender de vias que passam por baixo de pontes, reduzindo as alternativas de circulação.

Na última semana, a região Sul Fluminense enfrentou fortes chuvas, com registros de alagamentos em diferentes pontos de Volta Redonda. Diante desse cenário, existe um receio de que uma eventual elevação do nível do Rio Paraíba do Sul possa comprometer esses acessos e agravar ainda mais os problemas de mobilidade.

Aplicativos de GPS já passaram a indicar rotas alternativas, mas nem sempre conseguem evitar pontos de retenção. O transporte público também foi impactado, com relatos de aumento no tempo de espera por ônibus e alterações nos trajetos tradicionais.

De acordo com a prefeitura, a intervenção é preventiva e tem como objetivo garantir a segurança da estrutura da ponte. A expectativa é que a obra seja concluída em até 15 dias, podendo se estender até a segunda quinzena de abril.

Mudanças no trânsito vão além da ponte

As mudanças recentes no trânsito em Volta Redonda não se limitam à interdição da Ponte Pequetito Amorim. A prefeitura também anunciou um projeto de reordenamento viário no bairro Retiro, baseado em dados de acidentes, que prevê alterações no sentido de vias e reorganização do fluxo na região.

A proposta tem como objetivo aumentar a segurança e melhorar a mobilidade urbana, mas já gera debate. O vereador Renan Cury criticou a condução da iniciativa, apontando a falta de discussão com o Legislativo e possíveis impactos na rotina da população.

Segundo ele, mudanças no sentido das vias podem afetar diretamente moradores, comerciantes e motoristas, especialmente sem planejamento adequado, sinalização clara e período de adaptação. O parlamentar também questiona possíveis reflexos no acesso ao comércio local.

A própria prefeitura admite a possibilidade de rever as mudanças caso os resultados não sejam os esperados, o que, segundo o vereador, reforça a necessidade de acompanhamento e participação da população ao longo do processo.