MPF pede indeferimento da candidatura de Joacir Barbaglio

Em 2025, Joa deixou o cargo de prefeito de Três Rios por improbidade

Por Richard Stoltzenburg - PETR

Órgão diz que o registro merece ser indeferido pela Justiça Eleitoral

O Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se contrário à candidatura de Joacir Barbaglio, mais conhecido como Joa, na disputa pelo cargo de deputado federal pelo PSD. Para o órgão, o registro de candidatura merece ser indeferido. Joacir, que não declarou bens à Justiça Eleitoral, é ex-prefeito impugnado de Três Rios. Ele foi condenado por improbidade administrativa por receber e pagar valores indevidos a vereadores enquanto era presidente da Câmara Municipal de Três Rios.

Em 2025, Joa deixou o cargo no Executivo trirriense, e quem assumiu a função foi Jonas Dico (PSD), após ser eleito com 16.182 votos (40,19% dos votos válidos) na eleição suplementar, realizada no domingo, 5 de outubro de 2025. Ele concorreu pela coligação "Três Rios Não Pode Parar", que reuniu os partidos Podemos e Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

A nova configuração política ocorreu após o TRE-RJ indeferir a candidatura do então ex-prefeito por improbidade administrativa referente ao período em que ele presidia a Câmara Municipal.

Na manifestação, o MPF cita ainda a condenação do candidato no Recurso Eleitoral nº 0600657-76.2024.6.19.017, relacionado à captação e ao gasto ilícito de recursos. Na ocasião, Joa teve o mandato de prefeito de Três Rios cassado.

O processo tramitou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), onde a Corte votou pela cassação do ex-prefeito de Três Rios e do vice, Jaqueson Martins, por uso ilegal de recursos da campanha eleitoral de 2024. O caso envolveu o pagamento de materiais de campanha, conhecidos como "santinhos", utilizados pela chapa dos políticos, em uma prática popularmente conhecida como "caixa 2".

A decisão teve origem em uma representação apresentada pela coligação adversária "É Por Amor a Três Rios, É Por Você", do candidato Vinícius Farah, que denunciou a chapa de Joa por utilizar a conta de campanha do Partido Republicanos para contratar serviços gráficos com valores supostamente subfaturados.

Pela produção de quase 2 milhões de materiais impressos e santinhos distribuídos durante a campanha, as notas fiscais registraram o valor de R$ 5.858 pelos itens. Porém, os orçamentos de mercado para essa quantidade ultrapassaram R$ 110 mil, entre 15 e 20 vezes mais do que o valor apresentado pela chapa do ex-prefeito.

Joa já havia tido o mandato cassado por decisão judicial relacionada à improbidade administrativa, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o município passou por uma eleição suplementar, realizada em 2025, que definiu Jonas Dico (PSL) como novo chefe do Executivo.

Diante do caso, Joa afirmou que as denúncias eram infundadas e tinham apenas motivação política. Ele alegou ainda que contou com apoio ideológico da gráfica responsável pela produção dos materiais.

Agora, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) informou que a análise do caso será feita pela Corte Eleitoral fluminense durante o julgamento do registro de candidatura.

A reportagem entrou em contato com Joacir, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.