Estudantes e professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participaram de uma imersão prática sobre preservação do patrimônio histórico na quinta-feira, 30 de abril, conhecendo as Ruínas de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu (RJ). A atividade integrou a disciplina Seminário Teórico em Patrimônio e foi conduzida pela historiadora Rachel Wider, colaboradora da Elysium Sociedade Cultural, com acompanhamento das professoras Niuxa Drago e Lia Bahia. Também participaram da visita Cláudia Baima, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e o pesquisador Thiago Fonseca.
Durante a visita, o grupo conheceu de perto a trajetória da antiga igreja, construída por volta de 1734. A iniciativa faz parte do projeto de consolidação das ruínas e implantação de um novo uso, conduzido pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
A experiência chamou a atenção especialmente pela forma como a estrutura revela, em sua própria materialidade, diferentes momentos históricos. "A ruína mostra claramente sua temporalidade por meio das técnicas construtivas empregadas desde o século 18 até as intervenções do século 19", explica Rachel Wider. "Isso permite que os alunos compreendam, na prática, como as teorias do patrimônio se aplicam a esse tipo de intervenção, além das especificidades e cuidados que a consolidação de ruínas exige", acrescenta.
O grupo, formado por 25 participantes, teve contato direto com conceitos fundamentais da preservação, como leitura histórica, conservação e intervenção contemporânea em bens tombados. A proposta do projeto da Elysium foi apresentada como um exemplo de equilíbrio entre preservação e novos usos.
O programa de visita acadêmica segue aberto até o fim do mês de junho.
Patrimônio
As Ruínas de São José da Boa Morte representam um importante marco da história social e religiosa da região. A igreja teve papel central na vida local, sendo espaço de cultos e também de sepultamentos até meados do século 19.
Com o passar do tempo, fatores como a instabilidade do solo, a vegetação e a ausência de manutenção contribuíram para a degradação da estrutura, hoje reconhecida como patrimônio tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).