TCE dá parecer prévio favorável às contas do ex-prefeito Joa de 2024
Contas haviam sido reprovadas anteriormente pelo corte de contas
Por Leandra Lima
As contas da Prefeitura de Três Rios, referentes ao exercício de 2024, geridas pelo ex-prefeito Joacir Barbaglio Pereira (Republicanos), receberam parecer prévio favorável do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). No entanto, a aprovação foi feita com ressalvas e determinações, pois as contas já haviam sido reprovadas pela Corte em 2025. A decisão seguiu o parecer do relator responsável pelo caso, Marcelo Verdini Maia.
Anteriormente, as contas haviam sido rejeitadas pelo fato de o município não atingir equilíbrio financeiro durante o exercício e não atender determinações vigentes, como a aplicação mínima de recursos na educação. O exame preliminar do órgão fiscalizador apontou três irregularidades na prestação de contas do município:
1 - O município não atingiu o equilíbrio financeiro no exercício, em desacordo com o disposto no § 1º do artigo 1º da Lei Complementar Federal n.º 101/00;
2 - Descumprimento do artigo 42 da Lei Complementar Federal n.º 101/00, Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF);
3 - Não aplicou o mínimo de 25% das receitas com impostos e transferências de impostos na manutenção e desenvolvimento do ensino, descumprindo o limite mínimo estabelecido no art. 212 da Constituição Federal.
Considerações do relator
Marcelo Verdini considerou, durante a votação, a correção de dados sobre o mandato do ex-gestor de Três Rios, enviados pela defesa, o que possibilitou uma nova análise, mesmo com a manutenção das irregularidades apontadas inicialmente pelo órgão técnico. Além disso, a defesa apresentou novos argumentos no dia 10 de março, que também serão considerados na decisão final.
Diante disso, o relator desconsiderou a ocorrência de desequilíbrio financeiro.
"Estou afastando essa irregularidade a partir do exame da documentação que ingressou nesta Corte no dia 10 de março deste ano, pelo qual informa o gestor, grosso modo, que devem ser excluídos do passivo financeiro os seguintes montantes: aproximadamente R$ 4,6 milhões a título de restos a pagar prescritos; aproximadamente R$ 11 milhões referentes a restos a pagar não processados e efetivamente cancelados; e aproximadamente R$ 18,8 milhões a título de valores restituíveis por não configurarem obrigação do município", expressou em sessão do dia 1 de abril.
O responsável também afastou a irregularidade relacionada à LRF, porém determinou que o município precisará adotar as ações necessárias para atender à lei ao final da gestão.
Dentre as sete ressalvas e determinações, uma das principais refere-se a alertas e medidas que devem ser adotadas pelo atual prefeito do município, Jonas Dico (Podemos), como a necessidade de garantir disponibilidade de caixa ao final do mandato, em 2027. O TCE ressaltou que o Executivo precisa controlar melhor o que sobra em caixa para não gastar além do que arrecada. Se houver déficit nas contas e as vedações não forem seguidas, as contas poderão ser reprovadas.
Outro ponto é em relação às dívidas judiciais, os chamados "precatórios". Caso não sejam pagas conforme a lei, a gestão poderá sofrer sanções já na análise das contas de 2026. As verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e da merenda escolar também foram mencionadas. Ficou proibido usar verba do Fundeb para a compra de alimentos. Além disso, o que for gasto com alimentação não pode ser somado aos 25% obrigatórios que a prefeitura deve aplicar em educação.
Joa já teve as contas reprovadas
O ex-prefeito Joa já teve as contas reprovadas enquanto vereador. Por conta disso, teve o registro de candidatura indeferido por inelegibilidade, após ter as contas da gestão como presidente da Câmara de Três Rios também rejeitadas pelo TCE-RJ no exercício de 2019. Em razão desse fato, Joacir chegou a ser reeleito para o pleito de 2025, mesmo disputando a eleição sub judice, porém saiu no meio do mandato.
Agora fica com a Câmara
Após a conclusão do parecer técnico do Tribunal, a análise segue para a Câmara Municipal de Três Rios, onde os parlamentares serão responsáveis por julgar as contas, podendo aprovar ou rejeitar. A reportagem questionou a Casa Legislativa se já há data prevista para a votação, porém não recebeu resposta até o fechamento desta edição.
A reportagem também questionou o ex-prefeito Joacir Barbaglio sobre a nova decisão da Corte, mas não houve retorno até o fechamento.