Povo do Santo e CEFET/RJ debatem antirracismo

Evento busca diálogo entre saberes e produção acadêmica

Por Da Redação

O Coletivo Povo do Santo, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do CEFET/RJ - Unidade Petrópolis, promove na próxima quarta-feira (11) mais uma edição do "Café com Axé - Mobilização de Terreiros por Educação e Cultura Antirracistas". O encontro será realizado às 19h, no Salão Nobre da instituição, com entrada gratuita e aberta ao público.

A atividade reunirá lideranças de religiões de matrizes africanas e afro-indígenas de Petrópolis, estudantes, professores, pesquisadores e integrantes da comunidade acadêmica. Em formato de café dialógico, a proposta é criar um espaço de escuta e troca de experiências sobre educação antirracista, diversidade religiosa e valorização das culturas afro-brasileiras.

O evento busca ainda fortalecer o diálogo entre os saberes tradicionais dos terreiros e a produção acadêmica, contribuindo para a formação cidadã dos estudantes e para o desenvolvimento de práticas educativas comprometidas com a justiça social e o combate ao racismo, especialmente o racismo religioso.

Um dos coordenadores do Coletivo Povo do Santo, Pai Pedro Nogueira, destaca que o encontro é um espaço de construção coletiva. "Não temos a pretensão de esgotar o tema, mas provocar reflexões sobre os panoramas cultural e educacional em nosso município e levantar possibilidades de ações concretas de combate ao racismo e às diversas formas de intolerância", afirma. Segundo ele, a iniciativa também busca fortalecer uma sociedade em que a diversidade cultural e religiosa seja respeitada.

Para o professor Renan Rimon, coordenador do Neabi do CEFET/RJ Petrópolis, a parceria reforça a importância de aproximar a universidade e a comunidade. "É uma grande alegria que iniciativas como o 'Café com Axé' se consolidem como vitais para questionar o ambiente acadêmico e a nossa sociedade como um todo. Ao integrar o saber dos terreiros e a luta por uma cultura antirracista no cotidiano de Petrópolis, promovem-se não apenas o conhecimento, mas o respeito e a reparação histórica", destaca.

A iniciativa também conta com o apoio do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) de Petrópolis. Para Guilherme Freitas, historiador, conselheiro municipal de cultura pelo segmento de culturas afro-brasileiras, quilombolas e de matrizes africanas e também um dos coordenadores do Coletivo Povo do Santo, o encontro representa um passo importante no reconhecimento dos saberes de terreiro como parte fundamental da cultura brasileira.