Obras do Theatro Dom Pedro seguem sem prazo para conclusão

Secretário de Cultura realizou reunião com artistas sobre o equipamento cultural

Por Richard Stoltzenburg - PETR

No dia 25 de fevereiro a Prefeitura proibiu o acesso de catadores

Por Gabriel Rattes

O Theatro Dom Pedro, um dos principais equipamentos culturais de Petrópolis, continua fechado e sem prazo definido para reabrir. O espaço está em obras desde 2019 e, apesar de sucessivos anúncios de retomada e conclusão, ainda não há previsão oficial para que o público volte a ocupar a plateia. Ao longo dos últimos anos, diferentes cronogramas foram divulgados pela Prefeitura. A previsão mais recente indicava que o teatro poderia reabrir até o fim do primeiro semestre de 2025, o que não aconteceu.

Nesta terça-feira (04), a Prefeitura apresentou uma nova atualização sobre o andamento das obras do Theatro Dom Pedro durante uma reunião com produtores culturais. O encontro foi conduzido pelo presidente do Instituto Municipal de Cultura de Petrópolis (IMC), Adenilson Honorato, e contou com a participação de representantes da Secretaria de Obras. Apesar da apresentação do status das intervenções, a administração municipal não informou um novo prazo para a conclusão da reforma ou para a reabertura do espaço.

Sobre a reunião

Segundo Honorato, o objetivo foi manter o setor cultural informado sobre o andamento da reforma. "O Theatro Dom Pedro é um patrimônio histórico e cultural da cidade, e sua reabertura é uma prioridade", afirmou.

Ele também disse que o município pretende estruturar um modelo de funcionamento para o espaço após a conclusão das obras, com programação contínua e valorização de artistas locais.

Durante a reunião também foi apresentado pela Prefeitura, que diversas etapas da obra já foram executadas no prédio histórico. Entre os serviços apontados como concluídos estão:

- instalações elétricas e hidrossanitárias

- recuperação de piso, paredes e telhado

- implantação de novo sistema de combate a incêndio

- instalação de elevador e plataforma de acessibilidade

- pintura interna e externa

- restauro das pinturas artísticas

- recomposição da fachada

- reforma das salas de dança e de música

- melhorias nos camarins

Também foi implantada a infraestrutura necessária para o sistema de climatização do teatro. Segundo o secretário de Obras, Maurício Veiga, a etapa final depende da liberação da concessionária de energia elétrica para um desligamento temporário da rede, necessário para a instalação definitiva dos equipamentos.

"Estamos tratando de um prédio histórico que exige responsabilidade técnica e atenção a cada detalhe. As principais frentes estruturais já foram executadas e avançamos agora nas etapas finais", afirmou.

Apesar da atualização apresentada pela Prefeitura, nenhuma nova data de reabertura foi divulgada.

Falta de espaços

Enquanto o Theatro Dom Pedro permanece fechado, artistas e produtores culturais afirmam que Petrópolis enfrenta uma escassez de espaços públicos para apresentações e atividades formativas.

Segundo Carol Pitzer, representante do segmento de teatro no Conselho Municipal de Cultura, atualmente a cidade conta com apenas uma sala de espetáculos pertencente ao poder público.

"Hoje Petrópolis tem apenas o Teatro Afonso Arinos, no Centro de Cultura Raul de Leoni, e mesmo assim o espaço está sucateado. Muitos dos equipamentos que existem ali foram doados por produtores culturais como contrapartida de utilização", afirma.

De acordo com um mapeamento realizado pelo segmento teatral, ao menos 15 grupos de teatro estão ativos na cidade, mas enfrentam dificuldades para encontrar locais adequados para ensaios e apresentações. "Todos reclamam da falta de espaços para se apresentar, ensaiar e desenvolver atividades formativas", diz.

Para a representante cultural, a ausência de um teatro ativo também impacta a formação de público. "Petrópolis tem mais de 250 mil habitantes e praticamente nenhuma atividade de formação de plateia. As pessoas não têm o hábito de ir ao teatro, e a ausência de um espaço com programação de qualidade e preços acessíveis é uma das principais razões", afirma.

Debate sobre gestão do teatro

Outro ponto que tem gerado preocupação no setor cultural é a possibilidade de terceirização da gestão do Theatro Dom Pedro após a reabertura. Segundo Carol Pitzer, a preocupação dos artistas começou após declarações do secretário de Cultura indicando essa possibilidade. "Falas do secretário de Cultura apontavam para a possibilidade de terceirizar a administração do teatro quando ele for reaberto. O argumento é que não tem dinheiro para contratar funcionários para gerir o espaço", afirma.

Ela critica o que considera uma desvalorização histórica do setor cultural. "A cultura é sempre tratada como supérfluo. Nunca tem dinheiro para cultura", diz.

Para os trabalhadores do setor, o teatro deve continuar sendo um equipamento público acessível à população. "Nós, trabalhadores da cultura de Petrópolis, existimos e não vamos deixar nosso teatro passar para as mãos da iniciativa privada depois dos rios de dinheiro público que foram injetados na reforma", afirma.

Segundo ela, a preocupação é que uma gestão privada priorize o lucro e dificulte o acesso da população. "O teatro é público e precisa ser acessível. A iniciativa privada visa ao lucro e pode cobrar ingressos caros, impedindo que grande parte da população frequente o espaço", conclui.

Enquanto o debate sobre o futuro da gestão continua, o principal palco cultural de Petrópolis permanece fechado e sem data definida para voltar a receber o público.