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PUC-Rio investiga denúncia de racismo contra Marielle Franco

Universidade abriu apuração interna após relatos formais sobre ofensas atribuídas a um estudante de Direito

Por Déborah Gama

Parlamentar foi morta em 14 de março de 2018

A PUC-Rio, na última sexta-feira (30), abriu uma investigação interna para apurar ofensas racistas proferidas por um estudante do curso de Direito contra a memória da ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 e formada em Ciências Sociais pela instituição na Gávea.

A apuração foi instaurada pelo Programa de Integridade da universidade após o recebimento de relatos formais encaminhados por meio da Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias.

O caso ganhou repercussão após Luyara Franco, filha da parlamentar, denunciar que o aluno usou termos pejorativos em um grupo de WhatsApp.

"A pessoa se sentiu confortável para, em um grupo de WhatsApp, chamar a minha mãe de macaca e questionar como ela conseguiu pagar a própria faculdade", revelou Luyara nas redes sociais. A jovem completou: "Mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo. Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime".

Universidade investiga o caso

Em nota oficial assinada pela Reitoria e pela Coordenação Central de Integridade, a PUC-Rio repudiou veementemente os atos: "Após as denúncias recebidas pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias, abrimos investigação interna para apurar o ocorrido, no âmbito do nosso Programa de Integridade, e seguimos adotando todas as medidas administrativas e legais cabíveis". A universidade acrescentou que seu compromisso institucional "se renova na educação antirracista e na preservação da memória de mulheres como Marielle Franco".

Coletivos estudantis se posicionam

O episódio gerou uma forte onda de repúdio no meio acadêmico fluminense. Coletivos estudantis da PUC-Rio, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ) assinaram uma nota conjunta sobre o caso.

O documento cobra punição rigorosa e enfatiza: "Tais ataques não configuram apenas uma ofensa à sua honra, mas também uma forma de violência política, psicológica e de gênero", cobrando ações efetivas de letramento racial no ambiente universitário carioca.