Polícia investiga mulher que fez saudação nazista após votar em Botafogo
O registro foi feito por eleitores que votavam no Colégio Santo Inácio
A Polícia Civil do Rio investiga uma mulher que fez saudações nazistas após votar em Botafogo, na Zona Sul do Rio, durante o segundo turno das eleições. O caso foi registrado na 10ª DP, que fica no bairro.
O registro foi feito por um eleitor no Colégio Santo Inácio. Houve uma discussão inicial, não registrada. No vídeo, a mulher passa saindo da seção eleitoral e estende o braço direito para a frente e inclinado para cima, gesto historicamente associado ao regime nazista de Adolf Hitler.
Quem presenciou o gesto questiona a mulher: "Saudação nazista, é isso?", diz uma eleitora, que rebate: "Você é comunista?". Um homem, que seria o autor do vídeo, responde: "Sou comunista não, sou judeu". Ela voltar a rebater, dizendo que era "pior ainda".
A autora do gesto nazista vestia uma camisa amarela da seleção e um boné do "Maga", movimento de apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump. "Maga" é a sigla de "Make America Great Again" ou "Faça os Estados Unidos grandes novamente", em tradução livre. O slogan foi popularizado na campanha presidencial de 2016.
Segundo a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Federação Israelita emite nota de repúdio
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) publicou um nota de repúdio depois de tomar conhecimento do episódio. A entidade disse que o gesto em um dia de eleição é uma afronta direta à democracia.
"Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo", afirma.
"É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira", reforçou.
A Fierj disse que registro o caso na delegacia e que acompanhará de perto a investigação até que a autora seja identificada e punida. "O antissemitismo não pode ser naturalizado, relativizado ou tolerado. A apologia ao nazismo e as manifestações de ódio não encontram espaço em uma sociedade democrática".
A StandWithUs, organização pró-Israel, também repudiou a atitude da eleitora que fez o gesto de apologia ao nazismo. "Não é liberdade de expressão: é uma ofensa à memória do Holocausto, agravada por ter ocorrido em pleno exercício do voto", afirmou a entidade.
A organização lembrou que apologia ao nazismo é crime no Brasil. "O antissemitismo é incompatível com a democracia, e sua presença é um dos sinais mais claros de crise democrática", afirmou.