Frankenstein ganha leitura contemporânea no CCBB Rio pelas mãos de Camila Bauer
A montagem do Coletivo Gompa combina teatro, dança e artes visuais em uma ocupação com oficinas gratuitas no centro cultural
E se a criatura de Frankenstein fosse uma mulher que se recusasse a corresponder aos desejos do seu criador? A partir dessa provocadora inversão, o Coletivo Gompa constrói uma nova versão de Frankenstein, espetáculo dirigido por Camila Bauer, que já recebeu uma série de indicações e troféus em premiações de teatro, como o Prêmio Shell de melhor direção por "Instinto", entre outros.
A montagem cumpre temporada no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro de 14 de outubro a 15 de novembro, integrando a ocupação "Gompa no CCBB Rio — Frankenstein para Todas as Idades". As apresentações acontecem de quarta a segunda, às 19h, e aos domingos, às 18h, com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).
Para além da produção original
Inspirada no célebre clássico de Mary Shelley, a encenação ultrapassa o enredo original. A ideia de um ser montado a partir de pedaços de múltiplos corpos funciona como uma metáfora da própria diversidade brasileira, marcada por processos de colonização, apagamento e disputa de identidades.
No palco, a reflexão ganha vida na performance dos bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti, sob uma estética híbrida que alia teatro, dança, artes visuais e trilha sonora autoral. Ao negar o papel de submissão ao cientista Victor Frankenstein, a criatura feminina abre margem para um debate profundamente decolonial.
"Eu sempre gostei muito desta obra, de como ela revela nossa incompletude, nossa dificuldade de lidar com as perdas e nosso desejo de driblar a morte", explica a diretora Camila Bauer, que também leciona dramaturgia na UFRGS. "Quem somos nós, em meio a esta colcha de retalhos que é a própria humanidade? E como decolonizamos nosso pensamento?", questiona.
Fundado em Porto Alegre em 2014, o Coletivo Gompa completa mais de uma década de atuação com doze espetáculos premiados em seu repertório, destacando-se pela constante pesquisa de linguagem e fusão entre as artes cênicas e visuais.
Oficinas e atividades educativas
Além da montagem teatral, a ocupação do grupo gaúcho no CCBB conta com uma ampla agenda de oficinas gratuitas no Teatro II.
Para os adolescentes de 12 a 16 anos, a oficina "Histórias de Arrepiar", ministrada por Pedro Bertoldi no dia 31 de outubro, investigará a escrita criativa no universo do terror. No dia seguinte, 1º de novembro, Bertoldi comanda "Era Uma Vez… Criações Assombradas", voltada para crianças de 8 a 11 anos combinarem artes visuais e contação de histórias. Já no dia 7 de novembro, o professor Thiago Ruffoni orienta a oficina "Danças Urbanas para Crianças", estimulando a expressão corporal a partir dos 7 anos.
O público adulto e profissional também contará com atividades específicas. Entre 21 e 23 de outubro, a atriz Liane Venturella conduz a imersão "Dramaturgia da Máscara", trabalhando presença corporal e expressão sem palavras. O resultado dessa oficina culminará na intervenção cênica gratuita "Aparições", no dia 23 de outubro, às 18h, com figuras mascaradas ocupando os corredores do CCBB.
Nos dias 28 e 29 de outubro, Letícia Paranhos ministra "Dramaturgias do Corpo para Atores e Bailarinos". Encerrando a programação pedagógica no dia 12 de novembro, Camila Bauer lidera a oficina "Dramaturgias Híbridas", explorando a escrita teatral experimental.
O espetáculo "Frankenstein" tem classificação indicativa de 14 anos e duração de 50 minutos. As vendas e a retirada de ingressos para as oficinas gratuitas são realizadas diretamente pelo site oficial do CCBB Rio.