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Repúblicas para jovens no Rio transformam vidas com acolhimento e autonomia

Unidades da SMAS ajudam jovens em vulnerabilidade a conquistar trabalho, estudo e independência na transição para a vida adulta

Por Déborah Gama

A República Feminina Elza Soares, no Rio Comprido, foi inaugurada em março de 2026

Coordenadora das Repúblicas de Jovens da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro (SMAS), Alinne Mozeika descreveu histórias emocionantes de pessoas atendidas por essa modalidade de acolhimento. São casos inspiradores de vidas que tinham pouca perspectiva, mas encontraram a porta de saída da vulnerabilidade social.

"Nas repúblicas, a gente faz uma linha do tempo com os jovens e pergunta onde ele estava antes e onde ele quer chegar. É aí que a gente entra, para ajudá-los. O primeiro passo é acreditar neles" explicou, em entrevista à Rádio Catedral, transmitida também no canal de YouTube da emissora oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Na conversa ao vivo com os ouvintes e o apresentador do programa Vox Populi Social - o advogado Felipe Fernandes, presidente da Comissão de Adoção da OAB-RJ -, Alinne narrou trajetórias como a do rapaz que desde bem novinho é acolhido na rede de assistência da Prefeitura do Rio. Aos 18, ingressou na República para Jovens Júnior Heleno Barros de Antão, da SMAS. Hoje, é militar da Aeronáutica e mora numa casa que comprou com o dinheiro que economizou.

"Ele é o primeiro da família a sair da vulnerabilidade, e conta que nem usa mais o seu CadÚnico (programa federal de auxílio a pessoas de baixa renda)", revelou a coordenadora.

Um poliglota e um ex-refugiado

Outro caso apresentado no programa foi o do aluno poliglota de economia de uma universidade federal, atualmente acolhido na república para jovens. O rapaz fala mandarim, inglês e espanhol, além do português. Está trabalhando como analista fiscal bilíngue e sendo preparado pela equipe da SMAS para sair e viver em sua própria casa, com toda autonomia.

A coordenadora relatou ainda a jornada impactante do refugiado africano que deixou seu país de origem para fugir da violência. Também acolhido na república da SMAS, ele é mais um que está sendo preparado para a reinserção comunitária. Trabalha numa unidade da Prefeitura do Rio, concluiu um curso de instalador de placas solares e faz entregas por aplicativo. Com o dinheiro que guardou, ajudou a pagar o passaporte do irmão, para trazê-lo ao Brasil.

"Esse jovem vai sair para a casa dele e trazer o irmão, a única família que ele tem no mundo. É gratificante, porque a gente vai cumprir esse papel de mais um", afirmou Alinne sobre outro episódio de sucesso no trabalho de reinserção social.

Transição para a vida adulta

A pedagoga explicou como funcionam as repúblicas. Além da masculina, em Botafogo, há a unidade Elza Soares, feminina, no Rio Comprido. Para morar nelas, os jovens precisam ter 18 anos e só podem ficar até os 21. A maioria vem do acolhimento institucional para crianças e adolescentes e do programa Família Acolhedora, de lares provisórios. São rapazes e moças vítimas de abandono, violência ou negligência que foram afastados da convivência da família de origem, por determinação judicial, e chegaram à maioridade sem ser adotados.

A chave de casa

Lá, os jovens são estimulados a gerir a própria vida. Eles recebem a chave de casa, o que acaba sendo um símbolo de autonomia e responsabilidade. Trabalham, estudam e aprendem sobre planejamento financeiro.

A SMAS garante a moradia e a comida, além de roupa de cama e material de limpeza e de higiene, mas cada um ganha seu dinheiro e gerencia suas contas. Tudo com supervisão de uma psicóloga e uma assistente social.

"A gestão é participativa. O jovem vai receber a carne, vai precisar saber separar a carne, saber fazer o feijão, o arroz, saber o horário que precisa acordar para ir para o trabalho. Ele tem que saber como construir a saída dele com autogestão e autossustentação", disse Alinne.