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Veronica Costa trocou de carro ao menos quatro vezes durante fuga para a Serra do Rio

Condenada a 10 anos e 8 meses por tortura contra o ex-marido, ex-vereadora foi localizada pela Polícia Civil em um sítio na região de Araras, em Petrópolis

Por Bianca Lobianco

Veronica Costa foi localizada pela Polinter em Araras, na Região Serrana do Rio.

A ex-vereadora do Rio Veronica Costa (PL), conhecida como "Mãe Loira do Funk", trocou de carro pelo menos quatro vezes enquanto seguia da capital fluminense para a Região Serrana na tentativa de dificultar sua localização pela polícia. A fuga terminou na noite desta quinta-feira (24), quando ela foi encontrada e presa em um sítio na região de Araras, em Petrópolis. 

Condenada definitivamente a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura contra o ex-marido, Márcio Costa, Veronica era procurada pela Polícia Civil. Na quarta-feira (23), agentes estiveram em um imóvel ligado à ex-parlamentar na Barra da Tijuca para cumprir o mandado de prisão, mas ela não foi localizada. 

Durante o deslocamento até a Serra, Veronica teria adotado uma estratégia para dificultar o acompanhamento dos investigadores. A ex-vereadora deixou o Rio em direção a Araras e realizou pelo menos quatro trocas de veículo ao longo do percurso. Mesmo assim, o trabalho de inteligência da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter) conseguiu localizar o grupo.
 
Além de Veronica, outras três pessoas relacionadas ao processo foram presas: o irmão dela, Bruno Chaves Ribeiro; a irmã, Tatiane Chaves Ribeiro; e o cunhado Bruno Marcelo Bahia Marques. Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto da ex-vereadora e também denunciado no processo, permanecia procurado segundo as informações divulgadas após a operação. Os quatro familiares já apareciam na denúncia apresentada pelo Ministério Público em 2011. 

Sem recursos


Bruno Chaves Ribeiro também foi condenado a 10 anos e 8 meses. Após as prisões, a Polícia Civil informou que a localização dos envolvidos ocorreu depois de diligências e de "intenso trabalho de inteligência" realizado pela Polinter. A ordem contra Veronica foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal da Capital, após o trânsito em julgado da ação penal. Com o encerramento das possibilidades de recurso contra a condenação, a pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado. 

O processo teve origem em um episódio ocorrido em fevereiro de 2011. Márcio Costa procurou a polícia e relatou ter sido mantido em cárcere privado e submetido a agressões durante cerca de 20 horas. À época, ele apresentava queimaduras de segundo grau em diferentes partes do corpo. 

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público naquele ano, Márcio teria sido amordaçado, amarrado e submetido a agressões. A acusação também descreveu o uso de inseticida e gasolina e ameaças de que a vítima seria incendiada. Veronica negou participação nas agressões e apresentou uma versão diferente para os ferimentos do então marido.

A primeira condenação de Veronica ocorreu em 2019, quando a pena foi estabelecida em 5 anos e 10 meses. Em 2023, após recurso do Ministério Público, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a condenação para 10 anos e 8 meses, determinou o regime inicial fechado e manteve a perda do mandato de vereadora. 

Com o trânsito em julgado, a Justiça expediu o mandado para o início do cumprimento da pena. Depois de não ser localizada na Barra da Tijuca, Veronica acabou encontrada a cerca de dois dias da primeira tentativa de cumprimento da ordem, após o deslocamento para a Região Serrana e as sucessivas mudanças de veículo.