Thiago Rangel renuncia à Alerj após ser preso em investigação sobre contratos da Educação

Deputado renunciou ao mandato nesta quarta-feira (12), alegando que pretende se dedicar à própria defesa no inquérito que tramita no STF

Por Bianca Lobianco

Preso em Maio de 2025, Deputado estadual Thiago Rangel (Avante) deixa de vez a Alerj

O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quarta-feira (12). Ele está preso desde maio de 2026 pela Polícia Federal após investigação sobre suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

O pedido de renúncia foi recebido pela Alerj e lido durante a sessão plenária. No documento, Rangel afirmou que deixava o cargo por livre e espontânea vontade e que a decisão tinha caráter irrevogável e irretratável. Segundo o parlamentar, o objetivo é dedicar-se integralmente à própria defesa no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a renúncia, Wellington José (União), que já ocupava a cadeira como suplente desde o afastamento de Rangel, passa a exercer o mandato de forma definitiva. Ele havia sido convocado pela Alerj em maio, após o afastamento do parlamentar determinado pela Justiça.

Relembre o caso

Rangel foi preso em 5 de maio de 2026, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos para compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, para escolas estaduais ligadas à Secretaria de Educação.

Segundo a PF, empresas previamente escolhidas teriam sido favorecidas em contratos de unidades vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc. A região era considerada uma área de influência política de Rangel.

Os investigadores também apuram suspeitas de organização criminosa, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. A investigação teve origem em materiais apreendidos durante a primeira fase da Operação Unha e Carne, que inicialmente apurava o vazamento de informações sigilosas de operações policiais.

A análise de materiais apreendidos pela PF acabou levando os investigadores a um suposto esquema envolvendo contratos da Educação. Segundo informações divulgadas à época, um computador ligado ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar continha uma planilha com nomes de deputados, cargos no governo estadual e pedidos de nomeações. 

 

Wellington José assume mandato definitivamente

Wellington José já havia assumido temporariamente a vaga de Thiago Rangel após o afastamento do deputado. A convocação foi publicada pela Alerj em maio, quando a Casa informou que ele era o primeiro suplente do Podemos, partido pelo qual os dois haviam disputado a eleição de 2022.

Com a renúncia de Rangel, a cadeira deixa de estar vinculada ao afastamento judicial e passa a ser ocupada definitivamente pelo suplente.

A defesa de Thiago Rangel negou, quando ele foi preso, a prática de irregularidades e afirmou que o parlamentar prestaria os esclarecimentos necessários às autoridades. A investigação ainda está em andamento, e as suspeitas apontadas pela Polícia Federal deverão ser analisadas no processo.