Quem é quem na nova cúpula do jogo do bicho? Conheça os investigados apontados pelo MP
Operação que fechou um bingo clandestino na Tijuca é mais um capítulo da investigação do Ministério Público sobre um grupo apontado como sucessor de tradicionais famílias da contravenção no Rio de Janeiro
O fechamento de um bingo clandestino na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, colocou novamente em evidência um grupo que, segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), passou a ocupar posição central na estrutura da contravenção fluminense. Nas investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Rogério Costa de Andrade e Silva, Vinicius Pereira Drumond e Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, são apontados como integrantes da chamada "nova cúpula do jogo do bicho".
A denominação é utilizada pelos investigadores para identificar uma geração formada por herdeiros e sucessores de antigos nomes da contravenção que, conforme a apuração do MPRJ, teria reorganizado parte da exploração de jogos ilegais no estado. A investigação sustenta que bingos clandestinos e máquinas caça-níqueis passaram a integrar uma estrutura utilizada para movimentar recursos da organização e ampliar sua influência em diferentes regiões estado.
Como surgiu a investigação da nova cúpula
A origem da investigação remonta à Operação Fissão, deflagrada pelo Gaeco em outubro de 2024. Na ocasião, o Ministério Público cumpriu mandados de busca e apreensão contra investigados ligados à contravenção e recolheu celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.
Segundo o MPRJ, a perícia realizada nesse material revelou mensagens, registros e contatos que indicariam uma atuação coordenada entre Rogério Andrade, Vinicius Drumond e Adilsinho. A partir dessas informações, os promotores passaram a mapear uma rede de bingos clandestinos e estabelecimentos utilizados para a exploração de jogos de azar.
As investigações identificaram imóveis que, de acordo com a investigação, funcionavam como pontos de arrecadação da organização. Em uma das primeiras ações, o Gaeco apreendeu 48 máquinas caça-níqueis em um imóvel na Rua Maxwell, em Vila Isabel. Nesta semana, uma nova operação chegou a um bingo clandestino na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, onde outras 99 máquinas foram recolhidas. Para o Ministério Público, ambos os locais faziam parte da estrutura financeira investigada.
Rogério de Andrade: o nome mais conhecido da investigação
Entre os três investigados, Rogério Costa de Andrade e Silva é o personagem mais conhecido. Ele é sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores nomes da história do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Rogério passou a ganhar protagonismo na contravenção após a morte do tio, em 1997. Nos anos seguintes, disputas internas pelo controle de territórios marcaram uma nova fase da atividade ilegal no estado.
Atualmente, Rogério está preso em um presídio federal e responde a processos relacionados ao assassinato de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade. O crime, ocorrido em novembro de 2020 no Recreio dos Bandeirantes, é apontado pelas autoridades como um dos episódios que intensificaram a disputa pelo controle da contravenção fluminense.
Na investigação conduzida pelo Gaeco, Rogério é apontado como uma das lideranças da chamada nova cúpula do jogo do bicho.
Vinicius Drumond: o herdeiro de outra tradicional família da contravenção, é filho de Luizinho Drumond, histórico banqueiro do jogo do bicho e ex-presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Ele não está preso.
Após a morte do pai, seu nome passou a aparecer em investigações relacionadas à sucessão de áreas de influência da contravenção. Segundo o Ministério Público, Vinicius integra a liderança do grupo investigado e teria atuado de forma coordenada com Rogério de Andrade e Adilsinho na reorganização da estrutura criminosa identificada durante a Operação Fissão.
O MPRJ afirma que mensagens extraídas dos celulares apreendidos indicam contatos frequentes entre os investigados e apontam para uma atuação conjunta na administração da organização.
Adilsinho: o articulador citado nas investigações. Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, ele participou da articulação que deu origem ao grupo tratado pelos investigadores como "nova cúpula do jogo do bicho", segundo o Ministério Público. Relatórios de inteligência indicam que Adilsinho manteve contato constante com Rogério de Andrade e Vinicius Drumond durante o período analisado na investigação.
Conforme o Gaeco, a atuação integrada dos três investigados permitiu consolidar uma estrutura voltada à exploração de bingos clandestinos e máquinas caça-níqueis, consideradas pelos promotores uma das principais fontes de financiamento da organização.
Embora o jogo do bicho seja o símbolo mais conhecido da contravenção no Rio de Janeiro, as investigações do Ministério Público apontam que a exploração de bingos clandestinos e de máquinas caça-níqueis passou a representar uma importante fonte de arrecadação para grupos criminosos. Segundo o MPRJ, os estabelecimentos identificados nas operações funcionavam de forma discreta, sem identificação externa e com acesso restrito, dificultando a fiscalização. A estratégia das investigações é atingir justamente essa estrutura financeira, considerada essencial para a manutenção das atividades ilegais.
Investigação em andamento
A investigação continua em andamento. O Ministério Público afirma que novas ações serão realizadas para identificar outros possíveis integrantes da organização, aprofundar a análise do material apreendido e rastrear a movimentação financeira ligada aos bingos clandestinos.
Até o momento, Rogério de Andrade, Vinicius Drumond e Adilsinho são investigados no âmbito da apuração conduzida pelo Gaeco. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e todos têm direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa.