Camelôs protestam contra programa de tolerância zero

Ambulantes cobram regularização e exigem diálogo com Eduardo Cavaliere

Por Déborah Gama

Alguns trabalhadores aguardam na fila para formalização há mais de uma década

Ambulantes sem licença protestaram nesta quarta-feira (8) em frente à Prefeitura do Rio contra o Programa Tolerância Zero, que começa no próximo dia 16 de julho na orla da Zona Sul. O grupo critica a associação generalizada da categoria ao crime organizado e cobra a liberação de alvarás que estão travados na burocracia municipal há anos.

A prefeitura e a Secretaria de Ordem Pública (Seop) afirmam que o alvo da operação são mil pontos de venda ilegais controlados por facções e milícias. Eduardo Cavaliere defendeu o rigor da medida: "Vender produto de origem ilegal ou alugar equipamento com origem criminosa é crime. Quando você não tem legalização, não pode realizar atividades econômicas no espaço público".

Por outro lado, os manifestantes alegam que trabalham por necessidade e sobrevivência. "Eles estão querendo associar o camelô ao crime organizado. Trabalho em Copacabana há mais de 20 anos e nunca um traficante ou miliciano cobrou nada da gente", desabafou o ambulante Marcos da Silva, que apontou a existência de protocolos de legalização abertos desde 2001 sem resposta.

A coordenação do Movimento Unido dos Camelôs (Muca) exige uma reunião com o prefeito para tentar destravar o cadastramento por CPF e organizar o uso das praias sem criminalizar a classe trabalhadora.