Nova proposta de reajuste salarial desagrada rodoviários

Trabalhadores encaram proposta de aumento de 0,11% como "má-fé"

Por Déborah Gama

Rodoviários pedem reajuste, plano de saúde, aumento de piso salarial, entre outros

A terceira audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e as empresas de ônibus do Rio de Janeiro, mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), terminou sem acordo nesta segunda-feira (6). A categoria está em estado de greve desde quarta-feira (1º), quando suspendeu uma paralisação que durou três dias.

O sindicato patronal, Rio Ônibus, elevou a proposta de reajuste salarial de 4,39% para 4,5% — um acréscimo de apenas 0,11%. O índice sugerido também incidiria sobre o valor da cesta básica da categoria.

O CEO da entidade patronal, João Gouveia, justificou a limitação da oferta alegando que "o caixa do setor está severamente afetado", destacando que 11 empresas operam atualmente em regime de recuperação judicial.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, classificou o novo percentual como um "descaso" e uma "afronta" aos trabalhadores. "Uma proposta dessas, de 0,11%, depois de gente suspender a greve e atender a um apelo do tribunal, não parece de boa fé", declarou.

O dirigente adiantou que recomendará a rejeição do índice na assembleia geral marcada para esta terça-feira (7), às 16h.

Os rodoviários pleiteiam um reajuste de 17%, piso salarial de R$5 mil para condutores do BRT (e R$4 mil para os demais), vale-alimentação de R$1 mil, plano de saúde e o pagamento de 30 minutos de intervalo.

Histórico da paralisação

O movimento grevista teve início no dia 29 de junho e durou três dias, provocando longos tempos de espera em diversos terminais da capital.

A paralisação foi suspensa temporariamente na quarta-feira (1º) após uma determinação do Tribunal Superior Tribuna (TST). O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho estipulou a manutenção de 80% da frota circulando nas ruas sob pena de multa diária de R$ 100 mil ao sindicato trabalhista.

Até a realização da nova assembleia dos trabalhadores, o serviço de transporte opera normalmente no município.

"Me preocupa podermos retornar ao estado de embate em que ninguém sai ganhando, como o que vivemos semana passada", diz o desembargador do TRT, Gustavo Tadeu Alkmim. Ele sugeriu um reajuste de 5%.

O sindicato patronal afirmou que será feita uma reunião nesta terça-feira e que, na quarta-feira (8), poderá haver uma nova proposta.