Greve dos rodoviários no Rio entra no 2º dia com frota reduzida
Audiência de conciliação no TRT pode definir proposta para encerrar paralisação; transporte segue afetado em diferentes regiões da cidade
A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro entrou no segundo dia nesta terça-feira (30), mantendo impactos no transporte público da capital fluminense. Apesar do aumento no número de ônibus em circulação em relação ao primeiro dia da paralisação, a oferta de veículos segue abaixo do percentual mínimo determinado pela Justiça do Trabalho, provocando longas esperas e ônibus lotados em diversos pontos da cidade.
Segundo o Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de transporte coletivo, 1.350 ônibus deixaram as garagens na manhã desta terça-feira. O número supera os cerca de 900 veículos que circularam na segunda-feira (29), quando a greve começou, mas permanece inferior aos 1.800 coletivos que deveriam operar para atender à decisão judicial que estabelece a circulação de 50% da frota.
Passageiros relataram demora no atendimento em pontos e terminais, como o Terminal Intermodal Gentileza. Durante a madrugada, algumas linhas operaram com apenas um ônibus, que já iniciava as viagens com alta ocupação.
No sistema BRT, a MOBI-Rio informou que 361 ônibus articulados estavam em operação, um aumento de 26% em comparação com o dia anterior. Ainda assim, o serviço continuou funcionando com oferta reduzida. Já os sistemas de trens, metrô e barcas operaram normalmente.
Audiência pode definir fim da paralisação
Uma audiência de conciliação sobre o dissídio coletivo está prevista para esta terça-feira no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A expectativa do Sindicato dos Rodoviários é que o encontro resulte em uma proposta capaz de encerrar a greve.
Após a audiência, a entidade convocou uma assembleia com a categoria para avaliar o andamento das negociações. O presidente do sindicato, Sebastião José, afirmou esperar um avanço nas tratativas e defendeu a valorização profissional dos motoristas.
Diferentemente do primeiro dia da paralisação, não houve registro de ônibus depredados nesta terça-feira. Na segunda-feira, o Rio Ônibus informou que cerca de 50 veículos foram danificados durante piquetes.
Primeiro dia teve filas e confusão
Na segunda-feira, a paralisação provocou grandes transtornos para os passageiros. Houve relatos de espera de até duas horas por ônibus, além de filas em pontos e terminais e garagens com centenas de veículos parados.
No Terminal Alvorada, na Zona Oeste, passageiros revoltados derrubaram grades de proteção e invadiram a pista exclusiva do BRT durante a tarde.
Categoria mantém reivindicações
Os rodoviários afirmam que mantêm a pauta de reivindicações apresentada durante a negociação do dissídio coletivo. Entre os principais pedidos estão:
- alteração da data-base para 1º de março;
- salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e R$ 4 mil para os demais condutores;
- contratação de profissionais do BRT pelo regime da CLT, com o fim dos contratos temporários;
- vale-alimentação de R$ 1 mil;
- jornada de trabalho no regime 5x2;
- manutenção do passe livre para a categoria;
- pagamento do intervalo de almoço de 30 minutos;
- implantação de planos de saúde e odontológico.
Segundo o sindicato, a proposta apresentada pelas empresas prevê reajustes salariais considerados insuficientes pela categoria. Conforme os cálculos da entidade, os motoristas de ônibus convencionais teriam aumento de R$ 150,15, passando de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Já os condutores de ônibus articulados receberiam reajuste de R$ 180,17, elevando o salário de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O vale-alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689.