Caso Henry Borel: delegado afirma que réus tentaram enganar a polícia
Por Redação
O delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte de Henry Borel e então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), afirmou nesta terça-feira (26), durante o segundo dia de julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, que o casal montou uma "farsa ensaiada" para tentar enganar a polícia sobre as circunstâncias da morte da criança.
Segundo Damasceno, as investigações demonstraram que as versões apresentadas pelos dois eram falsas e incompatíveis com os ferimentos encontrados no menino.
"No decorrer da investigação, mostramos que tudo era uma farsa ensaiada. As versões apresentadas eram mentirosas e as lesões sofridas por Henry eram incompatíveis com qualquer queda da cama. São lesões gravíssimas", declarou o delegado.
Inicialmente tratado como um possível acidente doméstico, o caso passou a ser investigado após a polícia identificar inconsistências nos relatos de Monique e Jairinho.
Damasceno também afirmou que Jairinho tentou impedir que o corpo de Henry fosse submetido à perícia. De acordo com o delegado, o ex-vereador teria procurado um "alto executivo" do hospital para pedir que o óbito fosse atestado na própria unidade de saúde, evitando o encaminhamento ao Instituto Médico Legal (IML).
"Ele não queria que o corpo fosse encaminhado ao IML", afirmou.
O hospital, porém, recusou o pedido e determinou o envio do corpo ao IML, onde foram constatadas lesões incompatíveis com a versão apresentada pelo casal.
"Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não houvesse os prints mostrando as agressões, a mentira continuaria", disse Damasceno.
Durante o depoimento, o delegado afirmou ainda que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry antes da morte do menino.
"Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, estando apenas ela, Henry e Jairo na casa, foi à delegacia afirmar que Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele", declarou.
Damasceno também relatou que Henry já havia sido levado anteriormente a uma unidade de saúde em Bangu com lesões consideradas suspeitas. Na ocasião, segundo o delegado, Monique apresentou a mesma justificativa usada após a morte da criança.
"Ela disse que ele havia caído da cama, curiosamente a mesma versão apresentada quando Henry morreu", concluiu.