Deepfakes e golpes com IA aumentam busca por atas notariais
Tabeliã Vanele Falcão alerta para crescimento de fraudes digitais e destaca a importância da documentação rápida de conteúdos online antes que sejam apagados
O avanço das ferramentas de inteligência artificial e a crescente disseminação de deepfakes têm impulsionado uma nova geração de fraudes digitais no Brasil. Vídeos manipulados, perfis falsos, clonagem de voz e golpes aplicados por aplicativos de mensagens passaram a integrar o cotidiano de milhares de brasileiros, ampliando o debate sobre segurança jurídica e preservação de provas no ambiente digital.
Nas últimas semanas, o assunto voltou ao centro das discussões após novos casos de manipulação de imagem e identidade digital circularem nas redes sociais e plataformas de mensagens. Para especialistas, um dos principais desafios enfrentados pelas vítimas é a rapidez com que conteúdos e evidências desaparecem da internet.
Segundo Vanele Falcão, tabeliã titular do Cartório 21, na Barra da Tijuca, a ata notarial — documento elaborado em cartório que registra oficialmente conteúdos digitais com fé pública — tem ganhado importância estratégica em situações envolvendo inteligência artificial e fraudes online.
“A ata notarial permite preservar provas digitais antes que elas sejam apagadas. Em casos de golpes com inteligência artificial, perfis falsos, vídeos manipulados ou conversas excluídas, o fator tempo é determinante. Muitas vezes, quando a situação chega ao Judiciário, aquele conteúdo já não está mais disponível na internet”, explica.
De acordo com a especialista, a recomendação é que vítimas documentem rapidamente qualquer conteúdo suspeito antes mesmo de tentar solucionar o problema junto a plataformas digitais ou terceiros.
“Mais do que identificar o responsável pela fraude, a ata notarial oferece proteção à vítima ao registrar oficialmente aquilo que estava disponível no ambiente digital naquele momento, garantindo validade jurídica e segurança documental”, afirma.
A tabeliã ressalta ainda que a expansão das tecnologias de inteligência artificial deve aumentar a necessidade de mecanismos jurídicos voltados à autenticação e preservação de provas digitais.
“O crescimento dessas ferramentas exige também uma evolução na forma como as pessoas se protegem juridicamente. Nesse cenário, os cartórios passam a desempenhar um papel cada vez mais relevante, especialmente na preservação de provas e na prevenção de conflitos judiciais”, conclui