Conta de luz fica mais cara com aumento da Cosip

Nova tabela impacta moradias, comércios e indústrias do Rio

Por POR PAULA VIEIRA

Nova tabela isenta somente quem consome até 120 kWh

Os moradores do Rio já sentem o impacto do aumento da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip). A taxa, alterada e aprovada pela Câmara Municipal, entrou em vigor em fevereiro após a sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD). A medida eleva a arrecadação municipal sobre residências, comércios e indústrias, incidindo sobre o consumo de janeiro, cobrado na fatura de fevereiro.

Pela nova tabela, consumidores com gasto superior a 300 kWh por mês podem enfrentar altas de até 132,7% na Cosip. Uma conta de R$ 370, por exemplo, que antes pagava R$ 19,38 de taxa, passa a R$ 45,09. No período de um ano, o gasto sobe de R$ 232,56 para R$ 541,08, mesmo mantendo o padrão de consumo. O reajuste ocorre para qualquer consumo acima de 171 kWh.

Durante a tramitação, a oposição tentou barrar o projeto, mas foi derrotada por 36 votos a 11. Estudo do vereador Pedro Duarte detalhou os impactos por faixas: entre 171 kWh e 200 kWh, a alta é de 74,7% (de R$ 9,52 para R$ 16,46). De 201 kWh a 250 kWh, sobe 39,4% (R$ 13,86 para R$ 19,32). Na faixa de 301 kWh a 400 kWh, o salto de 132,7% eleva o valor de R$ 19,38 para R$ 45,09. Para consumos acima de 550 kWh, o aumento chega a 171,4%, com cobrança fixa de R$ 52,60.

De acordo com o município, a lei ampliou a isenção para quem consome até 120 kWh, atingindo 1,2 milhão de lares. Quem consome entre 121 kWh e 140 kWh terá descontos, enquanto a faixa de 141 kWh a 170 kWh mantém o valor antigo. A prefeitura também previu a Desvinculação de Recursos (DREM), permitindo o uso da verba da Cosip em despesas sem relação direta com a iluminação pública. O vereador Fernando Armelau (PL) classificou o ato como "manobra injustificável".

"O consumidor será obrigado a desembolsar um valor além do necessário para reforçar o caixa da prefeitura. É uma taxa que deveria custear iluminação, não financiar gastos gerais", criticou Armelau. Poubel reforçou o coro: "É covardia aumentar a taxa de luz e pesar no bolso do trabalhador. Votei contra esse aumento e estarei sempre ao lado do povo".

Votaram contra a medida: Carlos Bolsonaro, Diego Faro (PL), Dr. Rogério Amorim, Fernando Armelau, Paulo Messina, Poube (PL); Pedro Duarte (Novo, à época); Monica Benício (Psol), Rick Azevedo, Thais Ferreira e Willian Siri.

A Firjan alertou que a energia elétrica já representa cerca de 30% dos custos industriais, e que o aumento compromete a competitividade e a retomada econômica. O SindilojasRio e o CDLRio classificaram a medida como "injusta, desproporcional e pouco transparente".