Rio e MIR lançam plano contra o racismo no Carnaval carioca 2026
A iniciativa com o Ministério da Igualdade Racial conscientiza e facilita denúncias
Por Redação
A Prefeitura do Rio e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) formalizaram uma parceria para a ampliação da segunda edição da campanha nacional "Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais". A iniciativa, coordenada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR) e pela Riotur, estabelece um plano de ação para combater a discriminação racial e valorizar a herança afro-brasileira durante a maior festa popular do mundo. O projeto prevê a distribuição de materiais educativos, como leques e adesivos, em pontos de alta concentração de público, como o Carnaval de rua, bailes, ensaios técnicos, quadras de escolas de samba e o Sambódromo da Sapucaí.
O objetivo é conscientizar foliões e trabalhadores sobre práticas racistas, além de facilitar os canais de denúncia para casos de injúria racial e violência. Edson Santos, secretário municipal de Direitos Humanos e Igualdade Racial, detalhou a ampliação da logística de distribuição. "Estamos elaborando um roteiro de locais e eventos para fazer a distribuição desses materiais. Já temos uma parceria bem consolidada com a Liga RJ e queremos ampliar convidando a Liesa e as organizações dos blocos de rua e dos desfiles da Intendente Magalhães. Pretendemos rodar os camarotes da Sapucaí e articular a divulgação nos megablocos tradicionais", explicou Santos, ressaltando que o combate ao preconceito é uma pauta fundamental que deve ser discutida o ano inteiro.
A Riotur reforça a parceria por entender que o Carnaval deve ser um espaço de segurança e respeito para todos os cidadãos. Segundo o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, a campanha também integrará mensagens contra a violência dirigida às mulheres. "É fundamental conscientizar a população, especialmente durante o Carnaval, com campanhas de combate ao racismo e à violência contra as mulheres".
No plano federal, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, enfatizou que o foco da ação é proteger e valorizar quem constrói a festa. "Lançamos a campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da Terra. O racismo é sistêmico e não pausa no Carnaval, mas somos o povo que trabalha e que resiste para que nosso país se reconheça nas homenagens a personalidades, origens e tradições afro-brasileiras", declarou a ministra.
Um dos pilares deste ano é a cooperação com a Liga RJ, que representa as escolas da Série Ouro. Hugo Júnior, presidente da entidade, garantiu que os materiais chegarão diretamente ao "chão dos territórios" e às comunidades. No dia 13 de fevereiro, data de início da competição do grupo de acesso, integrantes do Ministério da Igualdade Racial realizarão um desfile simbólico na Sapucaí portando faixas e orientando o público. Marcelo Santana, coordenador da SEDHIR, pontuou que essa aproximação com o povo trabalhador é vital para descentralizar o combate ao racismo. A campanha também ocorrerá no Circuito Preta Gil, na Rua 1º de Março, local que homenageia a cantora e onde acontecem os principais megablocos.
O secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana, advertiu que fantasias estereotipadas e depreciativas, como a de "nega maluca" e figurinos indígenas, configuram atos de desrespeito que não serão aceitos. "Não cabem mais fantasias depreciativas sobre as culturas negra e indígena, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras", alertou Santana. Para garantir a punição de atos criminosos, as autoridades orientam que as vítimas registrem denúncias imediatamente através do número Disque 100 ou pelo canal oficial ouvidoria@igualdaderacial.gov.br.
