A capital carioca na criação da alma brasileira
Livro "Rio, Capital do Brasil: Ensaios sobre a Capitalidade" mostra a influência da cidade na formação histórica e cultural do país
Em uma solenidade marcada pela valorização da identidade histórica fluminense, o prefeito Eduardo Paes oficializou, nesta semana, o lançamento do livro "Rio, Capital do Brasil: Ensaios sobre a Capitalidade". O evento, realizado no Palácio da Cidade, em Botafogo, reuniu acadêmicos, gestores e diversos pesquisadores para discutir a influência do Rio de Janeiro na formação do Brasil.
A obra é fruto de uma cooperação entre a Secretaria Municipal de Cultura e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ), que reforçam o compromisso com a preservação da identidade cultural do povo carioca.
Para o prefeito Eduardo Paes (PSD), a publicação traduz a essência e importância da capital: "O livro escancara algo que todo carioca sente na pele: o Rio nunca foi uma cidade comum. Foram quase 200 anos de capital do Brasil, e isso não é apenas um dado histórico. Isso moldou a cidade, a política, a cultura e a própria ideia de Brasil ", ressaltou o gestor.
Livro apresenta ensaios de 20 especialistas
Organizado pelos professores Christian Lynch (Iesp-Uerj) e Elizeu Santiago de Sousa (AGCRJ), o título de 590 páginas reúne ensaios de 20 especialistas renomados, como Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ), Antonio Edmilson Rodrigues (Uerj), Aspásia Camargo (UFRJ) e Marly Motta (FGV), que analisam a trajetória carioca sob as óticas política, urbana e também internacional.
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, autor do prefácio, provocou uma reflexão histórica na cerimônia: "Quando que uma cidade deixa de ser capital de um país? Esse é um status só jurídico? É um status político, cultural, internacional? Quais cidades no mundo foram ao mesmo tempo sede de Olimpíada, final de Copa do Mundo, Eco-92, G20 com mais de 130 eventos?", questionou. Para Padilha, o Rio de Janeiro é "a cara e a alma do Brasil", o palco onde nasceram as utopias das artes e da política nacional.
Passeio do período colonial até a contemporaneidade
A narrativa histórica percorrida pelos 18 capítulos começa em 1808, com a chegada da Corte Portuguesa, atravessa o Império e a República, chegando à transferência para Brasília, em 1960. Elizeu Santiago explicou que a ideia foi convidar nomes de peso para repensar essa trajetória: "Convidamos 20 grandes especialistas para repensar a história da capitalidade. São capítulos que fazem um passeio do período colonial até a contemporaneidade".
A obra aborda também a fusão de 1975 e como a cidade se manteve como polo de inovação, saúde pública e saber. O seminário de lançamento reafirmou que, embora o título administrativo tenha mudado, a força simbólica do Rio permanece intrínseca à sua vocação de protagonista global. O debate no Palácio da Cidade encerrou o dia celebrando o Rio como o coração da cultura brasileira.