'Botão do pânico' amplia a segurança de profissionais da saúde no Rio

Dispositivo poderá ser acionado em caso de violência ou ameaça durante o exercício da profissão

Por Redação

Profissionais da saúde em situações de risco poderão pedir apoio em segurança através do botão do pânico

Profissionais da saúde do Estado do Rio terão uma nova e importante ferramenta de segurança. A Lei 11.070/2025, de autoria do deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Assembleia Legislativa (Alerj), cria o "botão do pânico", dispositivo que poderá ser acionado em caso de violência ou ameaça de violência durante o exercício da profissão.

O governador Cláudio Castro (PL) sancionou a regulamentação, que foi publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (19), e passa a entrar em vigor de forma imediata. Delaroli alertou que, segundo levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), um médico é agredido a cada três dias no Estado.

Cristiano Mashura - Deputado Guilherme Delaroli assegura mais segurança para os profissionais da saúde

"As mulheres são as principais vítimas, representando 62,5% dos casos no primeiro semestre de 2023. Além disso, 67% das agressões ocorrem na rede pública. Infelizmente essas situações não são pontuais e as agressões fazem parte do dia a dia desses profissionais”, declarou Delaroli.

Como o 'botão do pânico' irá funcionar

A medida vale para hospitais, clínicas e demais estabelecimentos de saúde - públicos, privados ou conveniados. A norma visa proteger médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de vigias de demais profissionais da unidade.

Ao ser acionado, o sistema de emergência envia um chamado ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Simultaneamente, um alerta também deverá ser emitido para a segurança interna da unidade. O dispositivo deverá enviar a localização exata da ocorrência e a polícia deverá enviar uma viatura mais próxima para a cobertura da ocorrência.

A lei considera como violência qualquer conduta que gere morte, lesão corporal, dano psicológico, psiquiátrico ou patrimonial, bem como ameaças. A medida busca combater a crescente onda de agressões a profissionais de saúde no exercício da função.

A implementação do dispositivo será custeada a partir do orçamento anual destinado à Secretaria de Estado de Saúde e do Fundo Estadual de Saúde (FES). O "botão do pânico" deverá ser elaborado com tecnologia em constante atualização.

Cremerj elogia medida

Após o texto ser aprovado pela Alerj, o Cremerj elogiou a proposta. Segundo o presidente da entidade, Guilherme Nadais, a falta de segurança dos médicos nas unidades de saúde é um problema que gera grande preocupação.

"Sabemos do quanto nossos colegas precisam realizar seu trabalho com alguma tranquilidade e como isso pode impactar diretamente na qualidade da assistência. Por todos esses motivos, esse assunto se tornou uma das prioridades do Conselho. Esperamos que esse projeto de lei continue avançando e que, em breve, possamos ver a implementação desse recurso e vê-lo em pleno funcionamento, pois se trata de uma situação urgente”, afirmou.

Por sua vez, o conselheiro federal Raphael Câmara mencionou que é inadmissível que os médicos continuem sofrendo com essa grande insegurança dentro do seu ambiente profissional.

"O Cremerj vem cobrando das autoridades medidas urgentes, pois não é possível admitir que situações de violência continuem acontecendo covardemente contra os nossos profissionais", pontuou.