Por Marcello Sigwalt
Visando o combate e desarticulação do grupo criminoso que controla o tráfico de drogas no Complexo de Israel (Zona Norte) foi deflagrada, nessa quinta-feira (10), a Operação 'Êxodo', para cumprimento de 15 mandados de prisão e outros oito de busca e apreensão nas comunidades da Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral, o que implicou intensa troca de tiros entre agentes e criminosos na região.
Um dos principais alvos da ação é a captura de Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do Complexo de Israel e do Terceiro Comando Puro (TCP). Também na manhã dessa quinta (10), foi cumprido o mandado de prisão contra o traficante Alexsander Félix Barbio, encaminhado à Cidade da Polícia, no Jacaré (Zona Norte). Investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) apontam que os suspeitos participaram de crimes, como organização criminosa, tráfico de drogas e roubo. Além da DRFC, as ações são reforçadas pelos departamentos de Polícia Especializada, da Capital, da Baixada e do Interior, a Subsecretaria de Inteligência e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Em Parada de Lucas e Vigário Geral, os confrontos entre a polícia e os traficantes provocaram pânico nos motoristas que transitavam pela Avenida Brasil e Linha Vermelha. Na tentativa de barrar a entrada das forças de segurança no local, os bandidos chegaram a atear fogo em barricadas e cavar trincheiras, onde um veículo blindado teria ficado preso. Até o momento, não há informações de feridos.
Devido ao impacto da operação policial na área, uma escola da rede estadual de educação teve de ser fechada. Já os alunos da rede municipal não foram afetados, por conta da realização do Conselho de Classe nessa quinta-feira (10), quando não há aulas.
Em contrapartida, os centros municipais de Saúde Iraci Lopes e José Breves dos Santos, em Vigário Geral e Cordovil, suspenderam o funcionamento, e a Clínica da Família Heitor dos Prazeres, em Brás de Pina, embora tenha mantido o atendimento à população, suspendeu as atividades externas no território.
Segundo estimativas divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apenas este ano, os episódios de instabilidade e violência em diversas regiões da cidade teriam provocado o fechamento temporário de 863 unidades de saúde.
Como marca de sua presença criminosa, o Complexo de Israel leva esse nome, por conta da 'predileção' de Peixão a símbolos judaicos, como a Estrela de Davi, o que não o impede de agir com extrema intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana.