☰
✕

Durigan afirma que agenda econômica será entregue à Lula quando ele voltar de viagens

Presidente fará pronunciamento no domingo para acalmar mercado; Ministro reconhece que taxa de juros é desafio

Por Gabriela Gallo

Durigan disse que reunião com equipe econômica não tratou de temas específicos

Em preparação para o pronunciamento que fará em cadeia nacional de rádio e televisão na noite deste domingo (8), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com integrantes da equipe econômica na manhã desta quinta-feira (5) para discutir os temas que serão abordados no vídeo.

A proposta do pronunciamento é reduzir as preocupações de setores da economia, especialmente do mercado financeiro. Após a vitória de Lula no segundo turno, o Ibovespa registrou uma queda de 13,88%. A expectativa é que o presidente reforce o compromisso de seu próximo mandato com a responsabilidade fiscal e o cumprimento das metas estabelecidas, sem deixar de lado as promessas de campanha.

Em conversa com a imprensa após a reunião, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o encontro como positivo e informou que não foram discutidas medidas específicas nem definido o planejamento econômico para o próximo ano. Antes da reunião, Lula havia sido aconselhado por aliados a não antecipar os nomes que integrarão sua equipe econômica no próximo mandato, mesmo diante da pressão do mercado financeiro.

Questionado pela imprensa, o ministro destacou a baixa taxa de desemprego e o controle da inflação como resultados positivos do governo. No entanto, apontou que a taxa de juros está entre os desafios que a equipe econômica reconhece precisar enfrentar.
A reunião ocorreu um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interromper o ciclo de cortes e manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano.

“A taxa de juros é um desafio que nós temos. [Também] o cenário internacional de guerra, com pressão sobre combustíveis, o quanto isso pode impactar o custo de vida das pessoas, e a necessidade de ter uma agenda resoluta e bastante clara para o futuro”, afirmou Dario.

Ele e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, apresentarão a agenda econômica ao presidente Lula quando ele retornar de suas viagens internacionais. A volta está prevista para 16 de novembro.

Na próxima terça-feira (10), o presidente desembarcará em Antália, na Turquia, onde participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 31). Em seguida, na próxima sexta-feira (13), ele seguirá para as Filipinas, onde participará da Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Além dos ministros da Fazenda e do Planejamento, participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck. Também estiveram presentes os ex-ministros Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Guido Mantega, além dos economistas Eduardo Moreira, Luciano Coutinho e Laura Carvalho.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não compareceu ao encontro. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), também estave ausente. Fonteles é um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda e conta com o apoio de representantes do mercado financeiro.

Em entrevista ao Correio da Manhã, a head de Jurídico e Tributário da BMJ Consultores Associados, Gabriela Rosa, avaliou que o principal desafio econômico do quarto mandato de Lula é a dívida pública. Segundo ela, a ampliação das políticas de acesso a serviços e de redistribuição de renda pode ficar comprometida diante das limitações fiscais.

“Por outro lado, há uma margem bem pequena de medidas de elevação da carga tributária e corte de benefícios fiscais que possam gerar aumento de receita sem impactar negativamente na produtividade e investimento no país”, ponderou.

Questionada pela reportagem sobre quais medidas o governo poderia adotar para reduzir as preocupações do mercado financeiro, a especialista em tributação apontou a definição da equipe econômica como um dos fatores relevantes. Essa decisão, porém, não deve ocorrer antes do retorno de Lula ao país.

Rosa também destacou que, após a definição dos integrantes da equipe, o governo poderia sinalizar seu compromisso com o equilíbrio fiscal por meio do envio de um pacote de medidas ou da apresentação de um cronograma de ações voltado à austeridade fiscal e à condução dos indicadores econômicos, como inflação e juros. “Ainda que a prerrogativa permaneça com o Banco Central, que goza de autonomia”, ressaltou.