Trump diz que aceita acolher família Bolsonaro nos EUA e volta a questionar eleição brasileira
Presidente americano afirma que aprovaria entrada de Flávio e familiares, critica segundo turno e defende Jair Bolsonaro após senador deixar o Brasil contrariando ordem do STF
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de sua família em território americano, após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno presidencial. A declaração foi dada a jornalistas na Base Conjunta Andrews, nas proximidades de Washington, e divulgada nesta quarta-feira (28).
"Bem, eu aprovaria. Acho que são pessoas boas", declarou Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de receber o senador brasileiro. O republicano também voltou a criticar o processo eleitoral que garantiu a reeleição de Lula.
"A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu críticas negativas. Basta ver o que aconteceu com o mercado deles", afirmou o presidente americano.
Trump disse que não tomou partido na disputa presidencial brasileira, embora tenha manifestado apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. "Conheço os dois. Conheço Lula. Conheço um pouco Flávio. Conheço muito bem o pai", declarou.
"O pai foi tratado muito mal. Foi o que achei, mas não me envolvi. Isso é o Brasil. É um país diferente", acrescentou.
A manifestação ocorre depois que uma autoridade do Departamento de Estado americano confirmou que o governo concederá vistos a Flávio, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e às duas filhas do casal. A autorização de entrada não representa, por si só, a concessão de asilo político.
Saída do Brasil após decisão do STF
Flávio deixou o Brasil após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a entrega de seus passaportes e proibiu viagens internacionais. A medida foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades migratórias argentinas, Flávio cruzou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da família, e embarcou em um voo particular com destino a Guayaquil, no Equador.
A Reuters informou que um aliado da família confirmou a chegada do senador à Flórida. Trump, entretanto, afirmou que não sabia exatamente onde o brasileiro estava quando conversou com os jornalistas.
A saída ocorreu dois dias após a vitória de Lula e depois de Flávio declarar publicamente que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo federal.
A posição de Trump acrescenta um componente diplomático ao episódio, já que a autorização americana para receber o senador ocorre enquanto permanecem em vigor as restrições determinadas pela Justiça brasileira. Até o momento, não há confirmação de mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro.