Já é 2030 no mundo da política
Perspectiva de uma eleição sem a polarização lulismo contra bolsonarismo abre novas possibilidades
Com 51,79% das intenções de votos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para assumir, a partir de 5 de janeiro de 2027, seu quarto e último mandato na Presidência da República. O resultado eleitoral foi um presidente adiantado para Lula, que completou 81 anos nesta terça-feira (27). Mas é ao mesmo tempo um ponto que faz com que a discussão eleitoral desde já avance quatro anos. A perspectiva de uma eleição sema polarização entre o lulismo e o bolsonarismo abre desde já a discussão de quem poderá ser o sucessor de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.
Ao Correio da Manhã, o cientista político e diretor da Dominium Leandro Gabiati reiterou que ainda é muito cedo para considerar os possíveis novos candidatos para as próximas eleições presidenciais, especialmente na esquerda. Na avaliação dele, na atual conjuntura, é necessário aguardar uma futura manifestação do próprio Lula. “Me parece que, dentro da esquerda, um nome dificilmente avança sem a escolha do presidente Lula”, ele avaliou.
Já entre possíveis candidatos da direita, na avaliação do analista político o governador reeleito para o estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama e senadora eleita pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) são nomes fortes para representar a direita em 2030.
Tarcísio
Inicialmente, Tarcísio chegou a ser cogitado como representante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral deste ano. Contudo, ao final foi definida a candidatura de Flávio Bolsonaro, primogênito do clã Bolsonaro, que obteve 48,21% das intenções de votos no segundo turno (59,8 milhões de votos).
Outro nome considerado forte para concorrer à Presidência representando à direita, também ligado ao bolsonarismo, é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Contudo, a Constituição Federal determina que, para concorrer à presidência da República, o candidato precisa ter no mínimo 35 anos. Em 2030, o mineiro terá 34 anos e, portanto, somente poderá disputar o Palácio do Planalto a partir de 2034.
Nikolas é um candidato popular que foi eleito por dois anos consecutivos o deputado federal mais votado do país. Em 2026, ele foi eleito para a Câmara dos Deputados com mais de 3,1 milhões de votos. Em 2022, na primeira vez que concorreu para um cargo no Congresso Nacional, ele foi eleito com 1,47 milhão de votos.
O analista político reitera que “apesar do enfraquecimento da família Bolsonaro depois da derrota, eles continuam sendo um ator chave dentro da direita”.
“Também é bom esperar para ver qual será a decisão que o Jair [Bolsonaro] tomará. Se ele ainda tentará manter o poder da família nas próximas eleições em 2030, indicando um dos filhos, ou se, de fato, optará por uma alternativa”, destacou Gabiati.
“Tem muita coisa para ser definida, tanto na direita quanto na esquerda. Este momento é um momento de decantação. Depois de uma disputa muito dura, as coisas começam a se acomodar um pouco e os atores começam a observar com mais calma o cenário político que pode se desenhar daqui em diante”, afirmou o cientista político.