Segundo turno tem troca de mais de 400 urnas, prisões e embate entre Lula e Flávio Bolsonaro
Balanço parcial aponta mais de 30 ocorrências policiais, problemas no transporte em São Paulo e movimentação de autoridades nas seções eleitorais pelo país
A votação do segundo turno das eleições de 2026 ocorre neste domingo (25) em todo o Brasil, com mais de 158,7 milhões de eleitores aptos a comparecer às urnas. Além da disputa pela Presidência da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), cinco estados e o Distrito Federal também escolhem governadores. O pleito começou às 8h e segue até as 17h, pelo horário de Brasília.
Nas primeiras horas da votação, o Ministério da Justiça registrou 32 ocorrências relacionadas a possíveis crimes eleitorais, com três prisões em flagrante. O Rio Grande do Sul liderava o levantamento, com 11 registros, seguido pela Bahia, com sete, e Pernambuco, com três. Os casos envolvem suspeitas de propaganda irregular, desobediência à Justiça Eleitoral e outras infrações. Os números são preliminares.
Troca de urnas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 467 urnas eletrônicas haviam sido substituídas até as 10h01, o equivalente a 0,09% dos equipamentos utilizados. São Paulo registrou 95 trocas, Paraná 68 e Rio de Janeiro 50. Até aquele momento, nenhuma seção eleitoral havia precisado recorrer à votação manual.
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro votou pela manhã na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na Zona Norte. Acompanhado de familiares e aliados, o candidato do PL criticou o governo Lula e defendeu uma mudança no comando do país. "Chegou a hora da mudança, o Brasil não aguenta mais", afirmou aos jornalistas. O senador também pediu que os eleitores comparecessem às urnas independentemente das condições meteorológicas.
Em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Lula votou na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de ministros. Após registrar o voto, o presidente fez críticas ao adversário e chamou Flávio Bolsonaro de "miliciano". Lula também afirmou que nunca havia presenciado uma mobilização como a deste segundo turno. A acusação feita pelo presidente é uma declaração política, não uma conclusão judicial.
Outras autoridades também compareceram às urnas durante a manhã. O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), votou no Colégio Madre Alix, em São Paulo, e elogiou a organização do processo eleitoral. A ex-presidente Dilma Rousseff compareceu ao Colégio Santa Marcelina, em Belo Horizonte, onde foi recebida por apoiadores. Já o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, acompanhou procedimentos de abertura da votação no Distrito Federal.
Chuvas causam problemas de circulação
Na Grande São Paulo, as chuvas provocaram problemas na circulação de trens durante a manhã. A Linha 7-Rubi teve interrupções e operação de ônibus de apoio, enquanto a Linha 9-Esmeralda registrou intervalos maiores entre as composições. As dificuldades no transporte ocorreram durante o período de deslocamento dos eleitores.
No Espírito Santo, o Tribunal Regional Eleitoral registrou 32 ocorrências técnicas em urnas eletrônicas nas primeiras horas do pleito. Até as 9h30, dez equipamentos haviam sido substituídos e outros 22 problemas solucionados no próprio local de votação, segundo o tribunal.
Votação no exterior
A votação no exterior também movimentou o noticiário. Boletins de urna de países da Ásia e da Oceania começaram a circular, com informações sobre resultados locais. Esses números não representam a apuração nacional, que terá início após o encerramento da votação em território brasileiro.
Possibilidade de reembolso
O governo federal também anunciou medidas para facilitar o deslocamento de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, com transporte terrestre ou fluvial e possibilidade de reembolso, conforme procedimentos estabelecidos para o atendimento dessas populações.
A Justiça Eleitoral mantém o monitoramento das condições de votação em todo o país, incluindo ocorrências policiais, funcionamento das urnas, transporte e possíveis impactos de chuvas. Novos balanços devem ser divulgados ao longo do domingo.