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Debate da Globo tende a ser menos agressivo que da Band

Candidatos precisam equilibrar críticas com propostas concretas, diz especialista

Por Gabriela Gallo

Regras devem tornar debate mais propositivo que da Band

Na reta final das campanhas eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno neste domingo (25), os presidenciáveis se preparam para o último debate eleitoral nesta sexta-feira (23) na TV Globo, antes da decisão final do eleitor brasileiro nas urnas eletrônicas. O debate está agendado para as 21h20, logo após o jornal Nacional. Será dividido em quatro blocos, além das considerações finais.

No último domingo (18), os candidatos participaram do debate da Band, marcado por trocas de insultos e acusações. E determinas atitudes dos candidatos não foram bem avaliadas pelos eleitores. O posicionamento especialmente de Flávio, atrás de Lula enquanto ele respondia, foi avaliado como algo que tirava o foco do telespectador para o que se falava. Para evitar que o cenário se repita, durante os três primeiros blocos do debate da Globo, está determinado que quem não estiver com a palavra deve ficar no púlpito até chegar a sua vez.

Pouco informativo

Além da ocupação do espaço, parte dos telespectadores avaliaram o primeiro debate entre os candidatos à Presidência como pouco informativo. Os presidenciáveis apresentaram poucas propostas práticas para os problemas do país. Na avaliação do doutor em Direito Constitucional e pró-reitor da Estácio Brasília Murilo Borsio Bataglia, em entrevista ao Correio da Manhã, o debate da Band “demonstrou que a agressividade pode ganhar espaço na disputa eleitoral, mas nem sempre se converte em vantagem política”.

E para o debate da Globo, ele completa que os principais desafios dos candidatos serão “equilibrar o confronto político com a apresentação de propostas concretas”.

“Há espaço para críticas e questionamentos, que são legítimos em uma democracia, mas é fundamental que o eleitor consiga compreender o que cada candidato pretende fazer caso seja eleito”, reiterou Bataglia.

Para o jurista, os três aspectos mais importantes para os candidatos serão: o respeito ao tempo de fala, a capacidade de responder objetivamente aos questionamentos e a apresentação de propostas para problemas concretos do país. “O debate não precisa ser desprovido de tensão, pois a divergência faz parte do processo democrático. O que se espera é que o confronto de ideias prevaleça sobre os ataques pessoais. Ao final, o eleitor precisa ter elementos para comparar projetos, avaliar a coerência dos candidatos e tomar sua decisão de maneira informada”, ele ponderou.

Outro ponto em que Flávio foi criticado foi a falta de respostas diretas após questionamentos de Lula sobre temas considerados polêmicos. Enquanto no primeiro debate ele evitou os temas, Murilo destaca que desta vez a melhor estratégia para o senador é “responder diretamente às perguntas, evitar realizar comportamentos que possam ser interpretados como provocação e demonstrar domínio dos temas debatidos”.

Já no caso de Lula, a campanha do petista deve priorizar uma estratégia de contraste programático, de forma que o candidato evite cair em provocações que desviem a discussão dos temas de interesse público e mantenha o foco sem se dispersar. “Em um debate marcado pela polarização, a capacidade de manter a serenidade e, ao mesmo tempo, responder com firmeza pode ser politicamente relevante. O objetivo deve ser apresentar resultados, explicar decisões de governo e demonstrar quais propostas pretende implementar em um eventual novo mandato”, afirmou o doutor em Direito Constitucional.