Aliado de Flávio Bolsonaro admitiu ser sócio de empresa da Loterj após negar ligação, revela e-mail
Mensagem encontrada pela Polícia Federal aponta participação de Willer Tomaz na Rio Pag, contratada durante o governo Cláudio Castro e envolvida em disputa milionária com a loteria fluminense.
Um e-mail encontrado pela Polícia Federal no celular do advogado Willer Tomaz, aliado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), revela que ele se apresentou a uma instituição financeira como sócio da Rio Pag, empresa responsável pelo processamento de pagamentos de apostas e serviços lotéricos da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). A informação foi revelada pela coluna de Malu Gaspar, em O Globo.
O documento contrasta com declarações anteriores de Tomaz, que negava participação societária ou administrativa na companhia e afirmava atuar apenas como advogado. Após a divulgação do e-mail, o advogado passou a reconhecer participação indireta na Rio Pag, por meio de uma cadeia de empresas.
A Rio Pag foi contratada em 2023, durante o governo Cláudio Castro (PL), para operar pagamentos ligados à Loterj. A contratação passou a ser questionada pela administração estadual, que rescindiu o contrato após apontar irregularidades. A empresa obteve posteriormente uma liminar para restabelecer provisoriamente o vínculo.
A disputa envolve R$ 18,5 milhões que estavam sob custódia da Rio Pag e foram cobrados pela Loterj. O valor principal acabou sendo pago, mas o governo estadual continuou reivindicando aproximadamente R$ 4 milhões em juros, multa e correção monetária. A companhia contesta a cobrança.
Tomaz mantém amizade de longa data com Flávio Bolsonaro e aparece em investigação da PF sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o setor de apostas. Registros bancários apreendidos também mencionam o senador como usuário de uma conta ligada a empresa do advogado, associação negada pelos dois.
A revelação do vínculo societário de Tomaz com a Rio Pag amplia os questionamentos sobre seus interesses empresariais no mercado de apostas. O e-mail, porém, não comprova participação de Flávio Bolsonaro na empresa nem envolvimento do candidato nas irregularidades contratuais investigadas.